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Mercantilização, estilos de agricultura e estratégias reprodutivas dos agricultores familiares de Salvador das Missões, RS

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Mercantilização, estilos de agricultura e estratégias reprodutivas dos agricultores familiares de Salvador das Missões, RS

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Título Mercantilização, estilos de agricultura e estratégias reprodutivas dos agricultores familiares de Salvador das Missões, RS
Autor Niederle, Paulo André
Orientador Schneider, Sergio
Data 2007
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Ciências Econômicas. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural.
Assunto Agricultores
Agricultura familiar
Desenvolvimento rural
Mercado
Relações sociais
Salvador das Missões (RS)
Sistemas de produção
[en] Diversity and rural development
[en] Familiar agriculture
[en] Markets
Resumo A discussão sobre a diversidade da agricultura em regiões amplamente integradas à lógica dos mercados globais de commodities agrícolas é exemplo de temática cada vez mais atual para o desafio de compreender as distintas trajetórias que segue o desenvolvimento rural. Neste sentido, a dissertação discute como emergem múltiplos estilos de agricultura e estratégias reprodutivas no meio rural de Salvador das Missões (RS) em meio a um crescente, porém desuniforme, processo de mercantilização da agricultura. O objetivo do trabalho consiste em estudar as conseqüências derivadas do estreitamento das relações entre os agricultores familiares e os mercados, mormente em relação à forma como aqueles organizam suas práticas e discursos para criar condições de reprodução social, econômica e cultural. Para tanto, três hipóteses orientam a pesquisa. A primeira assevera que a forma como transcorreu a inserção mercantil das unidades familiares de produção, bem como suas conseqüências à formatação de distintos estilos de agricultura, está relacionada ao modo desigual com que, no universo investigado, a mercantilização foi capaz de acentuar a externalização das unidades familiares, isto é, a dependência a recursos controlados por outros atores sociais. A segunda assertiva sustenta que a mercantilização foi responsável por inserir os agricultores em uma nova atmosfera de relações sociais que, gradativamente, passou a redefinir o conjunto de noções estratégicas que estes desenvolvem acerca do que consideram o melhor modo de organizar suas unidades de produção e a vida social. A terceira hipótese afirma que a diversidade de estilos de agricultura e estratégias é resultado das transformações ocasionadas pela mercantilização nas relações sociais que envolvem os agricultores familiares. A amplitude destas questões tornou necessária a realização de um estudo de caso e a utilização de várias técnicas de pesquisa quanti e qualitativa. Assim, os procedimentos metodológicos básicos relacionam-se à aplicação de questionários padronizados (58), entrevistas semiestruturadas (23 informantes) e observação direta; além da utilização de dados derivados de fontes secundárias. Em termos gerais, os resultados de pesquisa confirmam as hipóteses iniciais. Primeiramente, estes demonstram que as transformações da agricultura e do meio rural em uma região profundamente marcada pelos efeitos mais característicos do projeto de modernização da agricultura, associaram as mudanças da base técnica das últimas quatro décadas com intensos processos de mercantilização e externalização das unidades produtivas. Ao mesmo tempo, evidenciam como estes processos modificaram os elementos fundamentais que compõem uma espécie de “discurso prático” que os agricultores seguem para organizar suas unidades de produção. Neste sentido, revelam ainda como transcorreram mudanças quantitativas e qualitativas na tríade terra, trabalho e família, e em relação às sociabilidades e representações sociais dos agricultores. Transformações estas que caracterizam uma metamorfose da agricultura colonial ou camponesa em uma nova forma social de produção identificada à agricultura familiar contemporânea. Todavia, transformações não lineares que, por isso mesmo, não afirmaram uma única via histórica de desenvolvimento das unidades familiares de produção, mas diferentes trajetórias que hoje se expressam em distintos estilos de agricultura e múltiplas estratégias reprodutivas.
Abstract The discussion about the heterogeneity of agriculture in areas widely integrated into the logic of the global markets of agricultural commodities is a example of thematic more and more current for the challenge of understanding the different trajectories that it follows the rural development. In the purpose of contribute with this debate, the study discuss about the emergency of multiples farming styles and reproductive strategies in the rural world of Salvador das Missões, Rio Grande do Sul, a context deeply marked by increasing process of commoditisation of agriculture. The objective consists of studying the consequences derived from to have narrow escape relations between the family farmers and the markets, mainly in relation to the form as those organize its practices and narratives to create conditions of social, economic and cultural reproduction. For in such way, three hypotheses conduct the research. The first maintain that the form as happened the insertion of the farms in the markets, as well as its consequences to the formatting of distinct farming styles, is related to the different way with that, in the investigated universe, the commoditisation was capable to accent the externalization of the familiar units, i.e., the dependence to recourses controlled by other social actors. The second assertive supports that the commoditisation was responsible for inserting the farmers in a new atmosphere of social relations that, progressively, redefined the set of strategical notions that these actors develop about what they consider the best form to organize its units of production and its social life. The third hypothesis affirms that the diversity of farming styles and strategies result from transformations caused by commoditisation in the social relations that involve the farmers. The amplitude these questions was become necessary the use of a case study and several techniques of qualitative and quantitative research. Thus, the basic methodologics procedures associate the application of standardized questionnaires (58), semi-open interviews (23 informers) and direct observation; beyond the use of data derived from secondary sources. In general terms, the results confirm the initial hypotheses. Initially, demonstrate that the transformations of agriculture and the rural world in a region deeply marked by the agriculture modernization associated the changes of the technical base of last the four decades with intense processes of commoditisation and externalization of the productive units. At the same time, evidence as these processes modified the basic elements that compose a species of practical discourse that the farmers follow to organize its units of production. In this sense, reveal still as quantitative and qualitative changes happened in the triad land, work and family, and in relation to the sociability and social representations of the farmers. This transformation characterizes a metamorphosis of colonial or peasant agriculture in a new production social form identified to familiar agriculture contemporary. However, are not linear transformations and, therefore, had not affirmed only one historical path of development of the familiar units of production, but different trajectories that currently is express in the distinct farming styles and multiple reproductive strategies.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/11008
Arquivos Descrição Formato
000602633.pdf (1.065Mb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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