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Corpos femininos superfície de inscrição de discursos : mídia, beleza, saúde sexual e reprodutiva, educação escolarizada...

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Corpos femininos superfície de inscrição de discursos : mídia, beleza, saúde sexual e reprodutiva, educação escolarizada...

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Título Corpos femininos superfície de inscrição de discursos : mídia, beleza, saúde sexual e reprodutiva, educação escolarizada...
Autor Silva, Fabiane Ferreira da
Orientador Ribeiro, Paula Regina Costa
Data 2007
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Ciências Básicas da Saúde. Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde.
Assunto Corpo humano
Estudos culturais : Analise do discurso
Estudos culturais : Gênero
Saúde sexual e reprodutiva
Sexualidade feminina
[en] Body
[en] Cultural studies and of gender
[en] Gender
[en] Narratives
Resumo Nesta dissertação investigo a rede de discursos que inscrevem os corpos femininos de mulheres integrantes do Movimento Solidário Colméia, do município do Rio Grande/RS, quando participaram do curso “Mulher e Cidadania”. Neste estudo, tomo o corpo e o gênero como invenções produzidas no âmbito cultural, social e histórico, implicados em sistemas de significação e relações de poder. Na perspectiva de discutir e problematizar como determinados discursos e práticas inscrevem diferentes marcas nos corpos, ensinando costumes, valores, crenças, maneiras de perceber a si, de ser e de agir como mulheres e de pensar e atuar com relação aos seus corpos, estabeleço algumas conexões com os Estudos Culturais e de Gênero, nas suas vertentes pós-estruturalistas, e com proposições de Michel Foucault. O curso funcionou como um espaço narrativo, no qual as mulheres participaram de um processo de contar e ouvir algumas histórias a respeito de suas vidas. Essa estratégia também teve como objetivo desestabilizar e desnaturalizar as histórias narradas e, eventualmente, modificar os significados atribuídos ao corpo, ao gênero e à sexualidade por essas mulheres. Dele participaram 20 mulheres, com idades entre 18 e 60 anos, as quais estão em processo de escolarização e qualificação profissional. Essas mulheres vivem abaixo da linha de pobreza, desconhecem os seus direitos sociais, muitas delas oprimidas dentro do contexto familiar, convivendo com situações de violência física e/ou sexual. A estratégia de análise consistiu em “olhar” nas narrativas das mulheres o que elas contam sobre suas vidas, sobre suas relações familiares e sociais, sobre seus corpos, sobre a sua saúde reprodutiva e sexual, seus sentimentos, suas crenças, valores. A análise das narrativas possibilitou-me entender o sujeito como constituído a partir de diversas instâncias sociais – como a família, a escola, a mídia, a igreja, o hospital – e artefatos culturais – os programas de TV, as novelas, as revistas, os anúncios publicitários, as campanhas de saúde, as músicas. Ficou evidenciado neste estudo que as representações de corpo feminino produzidas e veiculadas nos meios de comunicação de massa interpelam e produzem nas mulheres pesquisadas, o desejo de ser de determinada maneira, de reconhecer-se e de pensar de determinado jeito e ter vontade de “consumir” certos produtos. Elas também estão sendo inscritas por significados que circulam nas campanhas voltadas à prevenção de doenças e promoção da saúde, que interferem nas suas escolhas pessoais, estabelecendo como podem ou devem agir para viver suas vidas de forma mais saudável. Também foi possível problematizar as representações naturalizadas de gênero, por exemplo, o pressuposto de que a função “natural” da mulher é ser mãe, esposa, cuidar da casa, dos filhos e marido. Tais representações estiveram implicadas nos motivos pelos quais algumas dessas mulheres não tiveram acesso à escola ou nos motivos que impossibilitaram a continuação dos seus estudos.
Abstract In this dissertation I investigate the net of discourses that inscribe the feminine bodies of women of the Solidary Movement Beehive, in the city of Rio Grande/RS, when they attended the course “Woman and Citizenship.” In this study, I take the body and the gender as inventions produced in the cultural, social and historical range, implicated in systems of significance and relationships of power. In the perspective of discussing and problematizing how certain discourses and practices inscribe different marks in the bodies, teaching habits, values, faiths, ways of self-perceiving, of being and acting as women and thinking and acting towards their own bodies, I establish some connections with the Cultural Studies and of Gender, in their post-structuralists, and with propositions of Michel Foucault. The course worked as a narrative space, in which the women participated of a process of telling and listening to accounts regarding their own lives. That strategy also aimed at destabilizing and denaturalizing the accounts told, and, eventually, to modify the meanings attributed to the body, to the gender and the sexuality for those women. Twenty women attended the course, ages ranging from 18 and 60 years old, who are in schooling process and professional qualification. Those women live below the poverty line; they ignore their social rights, many of whom oppressed within the family context, living situations of physical and/or sexual violence. The strategy of analysis consisted of “pondering” over the women's narratives about their lives, families and social relationships, their bodies, their reproductive and sexual health, their feelings, faiths and values. The analysis of the narratives made possible to understand the subject as having constituted of several social instances–as the family, the school, the media, the church, the hospital–and cultural artifacts–the TV programs, the soap operas, the magazines, the advertisements, the health campaigns, the music. It was clear in this study that the representations of feminine body produced and broadcast question and produce in the women on research, the desire to be certain way, of recognizing and of thinking in a certain way and wanting “to consume” certain products. They are also being inscribed by meanings that circulate in the campaigns focused on the prevention of diseases and promotion of health, which interfere with their personal choices, establishing how they can or they should act to live their lives in a healthier way. It was also possible to problematize the naturalized representations of gender, for instance, the presupposition that the “natural’ role of the woman is to be mother, to get married, to take care of the house, of the children and husband. Such representations were implicated in the reasons by which some of those women didn't have access to instruction or in the reasons that disabled the continuation of their instruction.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/11114
Arquivos Descrição Formato
000604896.pdf (802.7Kb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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