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Conhecimento ecológico local de pescadores sobre os padrões migratórios de peixes em um rio tropical

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Conhecimento ecológico local de pescadores sobre os padrões migratórios de peixes em um rio tropical

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Título Conhecimento ecológico local de pescadores sobre os padrões migratórios de peixes em um rio tropical
Autor Nunes, Moisés Ubiratã Schmitz
Orientador Silvano, Renato Azevedo Matias
Data 2014
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Biociências. Programa de Pós-Graduação em Ecologia.
Assunto Amazônia : Brasil
Barragens
Etnoecologia
Etnoictiologia
[en] Fish breeding
[en] Fish ecology
[en] Habitat use
Resumo Os peixes podem migrar até milhares de quilômetros, buscando completar seu ciclo de vida. A migração de peixes presta importantes serviços aos ecossistemas aquáticos, como: dispersão de sementes, ciclagem de nutrientes e transferência de energia entre ambientes com alta produtividade e ambientes com baixa produtividade, exercendo assim papel fundamental nas redes tróficas de rios tropicais. Os ecossistemas aquáticos tropicais estão situados geralmente em países em desenvolvimento, que passam por rápida industrialização e aonde uma das principais fontes de energia elétrica vem da construção de usinas hidrelétricas, implicando no barramento e fragmentação do habitat de peixes migratórios. Por isso, os peixes migratórios estão sujeitos não somente aos impactos da pesca, mas também a degradação e a perda de conectividade entre os habitats utilizados. Países tropicais possuem pouco conhecimento ecológico sobre a migração de peixes, dificultando a aplicação de políticas de manejo e conservação. Por outro lado, pescadores artesanais possuem conhecimento detalhado sobre a ecologia dos peixes que pescam, sendo que esse conhecimento local pode servir como base para políticas de manejo pesqueiro e conservação. O objetivo deste trabalho é avaliar o conhecimento ecológico de pescadores sobre a migração de peixes ao longo de um rio tropical, o Rio Tapajós, um dos principais afluentes do Rio Amazonas, no Brasil. Ao todo, 273 pescadores foram entrevistados individualmente utilizando-se de questionários padronizados, ao longo de quatro trechos de rio: Baixo (entre Santarém e Belterra), Baixo-médio (entre Belterra e Aveiros), Médio (Itaituba) e Alto Tapajós (Jacareacanga). Neste estudo são analisadas e discutidas algumas hipóteses sobre a migração e movimentação de quatro espécies de peixes reconhecidamente migratórios: Filhote ou Piraíba (Brachyplatystoma filamentosum) Mapará (Hypophthalmus marginatus), Jaraqui (Semaprochilodus spp.) e Matrinxã (Brycon spp.), além de três peixes não considerados como sendo migratórios: Tucunaré (Cichla spp.), Pescada (Plagioscium squamosissimus) e Caratinga (Geophagus surinamensis). Segundo a maioria dos pescadores entrevistados, o Filhote migra rio acima e apresenta tamanhos maiores em trechos superiores (médio e alto) do rio, uma evidência de que a espécie utiliza estes habitats rio acima para desova. O Jaraqui e a Matrinxã apresentam padrões similares segundo os pescadores: migração longitudinal seguida de migração lateral. Entretanto, os pescadores mencionaram que Jaraqui, o peixe mais capturado em todos os trechos do rio dentre os peixes estudados, realiza migração a jusante durante a seca nos trechos Baixo e Baixo-médio Tapajós, indicando que a espécie retorna ao Rio Amazonas, provavelmente para desovar, diferentemente dos trechos Médio e Alto Tapajós onde não é citada migração a jusante, levantando a hipótese de que sejam populações com padrões migratórios distintos. O Mapará não foi citado no trecho superior do rio (Alto) e a migração lateral foi o principal movimento indicado pelos pescadores nos demais trechos ao longo do rio. Os resultados deste estudo têm implicações importantes para a conservação dos peixes. A construção de barragens vi nos trechos superiores do Rio Tapajós representa uma ameaça aos peixes migradores estudados, como o Filhote, o Jaraqui e a Matrinxã. Portanto é fundamental que estas informações sejam consideradas no planejamento energético e desenvolvimento da Amazônia. Recomenda-se investigar mais sobre a migração dos peixes no Rio Tapajós, para se discutir futuras estratégias de manejo e conversação.
Abstract Fish can migrate up to thousands of kilometers, seeking to complete their life cycle. The migration of fish provides important services to aquatic ecosystems, such as seed dispersal, nutrient cycling and energy transfer between high-productivity environments and low-productivity environments, thus playing a key role in the food webs of tropical rivers. Tropical aquatic ecosystems are often located in developing countries that undergo rapid industrialization and where a major source of electricity comes from the construction of hydroelectric power plants, which results in the impounding and fragmentation of habitat for migratory fish. Therefore, migratory fish are subject not only to the impacts of fishing, but also to the degradation and loss of connectivity between the habitats used. Tropical countries have little ecological knowledge about fish migration, hampering the implementation of management and conservation policies. On the other hand, artisanal fishermen have detailed knowledge about the ecology of fishes they catch, and such local knowledge can be used as the basis for fisheries management and conservation policies. The objective of this study is to assess the ecological knowledge of fishermen on fish migration along a tropical river, the Tapajós River, a major affluent of the Amazon River, in Brazil. Altogether, 273 fishermen were interviewed individually using a structured questionnaire along four stretches of the river: Low (between Santarém and Belterra), Low-medium (between Belterra and Aveiros), Medium (Itaituba) and Upper Tapajós (Jacareacanga). This study analyzed and discussed some hypotheses about the migration and movement of four known species of migratory fish: Filhote or Piraíba (Brachyplatystoma filamentosum), Mapará (Hypophthalmus marginatus), Jaraqui (Semaprochilodus spp.) and Matrinxã (Brycon spp.), as well as three species of fish considered as non-migratory: Tucunaré (Cichla spp.), Pescada (Plagioscium squamosissimus) and Caratinga (Geophagus surinamensis). According to most fishermen, Filhote migrates upstream and features larger sizes in the upper parts of the river (Medium and Upper Tapajós), an evidence that the species use these habitats upstream for spawning. The Jaraqui and Matrinxã have similar patterns according to the fishermen: longitudinal migration followed by vii lateral migration. However, the fishermen mentioned that Jaraqui, which is the fish most commonly caught among the fish studied along the river stretches, performs downstream migration during the draughts in Low and Low-Medium Tapajós, indicating that the species returns to the Amazon River, presumably to spawn, differently from the Medium and Upper Tapajós stretches, where downstream migration is not mentioned, raising the possibility that these are populations with distinct migration patterns. The Mapará was not mentioned in the upper part of the river (Upper) and the lateral migration was the main movement indicated by fishermen in the other stretches along the river. The results of this study have important implications for the fish conservation. The construction of dams in the upper parts of the Tapajós River is a threat to the migratory fish studied, such as the Filhote, the Jaraqui and the Matrinxã. Therefore, it is essential that the aforementioned information be considered in energy planning and development of the Amazon. It is recommended to further investigate the migration of fish in the Tapajós River in order to discuss future management and conversation strategies.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/117904
Arquivos Descrição Formato
000951901.pdf (3.777Mb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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