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Biologia populacional e ecologia comportamental da baleia franca, Eubalaena australis (Desmoulins, 1822), Cetacea, Mysticeti, no litoral sul do Brasil

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Biologia populacional e ecologia comportamental da baleia franca, Eubalaena australis (Desmoulins, 1822), Cetacea, Mysticeti, no litoral sul do Brasil

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Título Biologia populacional e ecologia comportamental da baleia franca, Eubalaena australis (Desmoulins, 1822), Cetacea, Mysticeti, no litoral sul do Brasil
Autor Groch, Karina Rejane
Orientador Fabian, Marta Elena
Data 2005
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Biociências. Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal.
Assunto Comportamento animal
Ecologia animal
Eubalaena australis
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Resumo As baleias francas austrais (Eubalaena australis) eram historicamente distribuídas do Nordeste ao Sul do Brasil, mas a intensa caça comercial realizada até 1973 quase levou-as à extinção. De 1986 a 2003 foram realizados sobrevôos ao longo da costa sul do Brasil principalmente para fotoidentificação individual da população remanescente de baleias francas. Um total de 481 baleias (223 grupos) foi avistado em 16 sobrevôos durante o pico de abundância de baleias. Os grupos consistiram principalmente de dois indivíduos (67,3%, n=150), mas grupos de até oito baleias foram avistados. Foram registradas 149 avistagens de pares de fêmea com filhote, e 183 de indivíduos não-acompanhados de filhotes. As baleias estavam concentradas entre os ‘bins’ (unidades de 12 minutos de latitude) J (Garopaba) e N (Araranguá), com pico de avistagem em L (Laguna). A distribuição dos pares de fêmea e filhote e dos indivíduos não-acompanhados está um pouco sobreposta, mas uma principal área de concentração foi identificada, especialmente para as fêmeas com filhotes, o que coincide com a área de agregação previamente reconhecida no Brasil. Em 2002 e 2003, anos em que foram realizados sobrevôos mensais, as baleias chegaram na região em Julho/Agosto, atingindo pico em Setembro, e declinando em Outubro/Novembro. Padrões de reavistagem intra-anual foram obtidos a partir de 39 baleias reavistadas. A maioria das reavistagens foi de fêmeas com filhotes, reavistadas pelo menos uma vez em dois sobrevôos consecutivos. Até 2003, o Catálogo Brasileiro de Fotoidentificação das Baleias Francas tem 315 baleias identificadas individualmente, das quais 31 foram reavistadas em outros anos (23 fêmeas, 3 filhotes de um ano e 5 baleias de sexo e idade desconhecidos). Nenhuma reavistagem ocorreu antes de 1994 e 71% (n=24) foram registradas em 2003. Das 120 fêmeas identificadas no Brasil, 19,2% (n=23) têm mostrado algum nível de fidelidade de área. O intervalo modal observado entre nascimentos foi de três anos, consistente com o sucesso reprodutivo. De 1997 a 2003, o número de fêmeas reprodutivas na área Central sobrevoada aumentou a uma taxa de 29,8% por ano (95% CL 15,7, 44,0) e de 1987 a 2003 14% por ano (95% CL 7,1, 20,9). Ambas as taxas são significativamente diferentes de zero (t=4,133, p<0,009 e t=4,06, p<0,004, respectivamente), e mais altas que as taxas observadas para as baleias francas em outras áreas de concentração reprodutiva no Atlântico Sul. A abundância das baleias francas na costa sul do Brasil foi estimada em no máximo 555 indivíduos, utilizando-se a Taxa Anual Reprodutiva (de uma população estável). Este número reflete o aumento observado na população em anos recentes, porém devido à estimativa não ter incorporado parâmetros como mortalidade e/ou emigração e imigração, deve ser utilizado com cautela, e considerado somente uma estimativa preliminar. As interações entre as baleias francas e as embarcações de turismo foram estudadas em 2002, utilizando-se um teodolito. Foram realizadas 65,5 horas de observações antes, durante e depois dos encontros entre fêmeas com filhotes e embarcações, durante 25 cruzeiros de “whalewatching” em cinco enseadas diferentes. A média da velocidade de natação das baleias antes, durante e depois dos encontros com embarcações variou de acordo com a enseada e a fase de aproximação, (t=4,133, p<0,009 e t=4,06, p<0,004, respectivamente). Não foi encontrada nenhuma alteração significativa nas velocidades médias de natação nestas três fases (p>0,05), porém houve variação significativa durante alguns intervalos de tempo. As probabilidades previstas das baleias nadarem em direção aos barcos em função do tempo foram significativamente próximas aos valores esperados na Gamboa e Ibiraquera (p>0,05) porém variaram significativamente durante alguns intervalos em Garopaba, Silveira e Rosa. As baleias reagiram tanto a distâncias curtas e longas das embarcações, e as reações variaram de acordo com as enseadas. Apesar da dificuldade de avaliar impactos a longo prazo, nenhuma evidência clara sobre distúrbios a esta população foram observados durante este estudo, sugerindo que as embarcações de “whalewatching” que operam segundo as legislações Brasileiras não alteram o comportamento das mesmas. Se o número de baleias francas continuar a aumentar, pode-se esperar que as baleias francas reocupem sua área de distribuição histórica ao longo de cerca de 2400km de costa, aumentando a possibilidade de conflitos entre as baleias francas e atividades humanas. O uso de técnicas de rastreamento com teodolito, se realizadas em conjunto com as usadas para o monitoramento a longo prazo dos indivíduos e seus padrões de uso de habitat poderão permitir aos cientistas uma melhor possibilidade de manejo das atividades de “whalewatching” de modo a assegurar a conservação apropriada da espécie alvo e a sustentabilidade da indústria deste turismo a longo prazo.
Abstract Southern right whales (Eubalaena australis) in Brazil were historically distributed from northeastern to southern coast, but intensive commercial whaling held until 1973 almost extirpated whales from the region. From 1986 through 2003 aerial surveys were conducted off southern Brazil primarily for photo-identification of the remnant population. A total of 481 whales (223 groups) were sighted in 16 surveys during peak whale abundance. Groups consisted mostly of two whales (67.3%, n=150) and groups of up to eight whales were sighted. From the total, 149 sightings were of females with calves and 183 were unaccompanied whales. Whales concentrated between bins (unit with 12 minutes latitude long) J (Garopaba) and N (Araranguá), with a peak in L (Laguna). Distribution of females with calves and unaccompanied whales is somewhat overlapped, but a major concentration area was identified, especially for mother/calf pairs, which coincides with a previously recognized aggregation area off Brazil. In 2002 and 2003, when monthly surveys were conducted, whales arrived in July/August, reaching peak in September, and declining in October/November. Intra-annual resighting patterns were obtained from 39 non-calf whales. The majority of resightings were of females with calves, resighted at least once in two consecutive surveys. As of 2003 the Brazilian Right Whale Catalogue has 315 different individual whales of which 31 were resighted in other years (23 females, 3 yearlings and 5 whales of unknown age/sex). No resightings occurred before 1994 and 71% (n=24) were recorded in 2003. From 120 females identified in Brazil, 19.2% (n=23) have shown some level of site fidelity. The modal observed interval between calving events is 3 years, consistent with successful reproduction. From 1997 to 2003 the number of reproductive females in the Central Survey Area off Brazil increased at a rate of 29.8% per year (95% CL 15.7, 44.0) and at 14% per year (95% CL 7.1, 20.9) from 1987 to 2003. Both rates are significantly different from zero (t=4.133, p<0.009 and t=4.06, p<0.004, respectively) and higher than the rates observed for right whales in other wintering grounds in the South Atlantic. The abundance of right whales off southern Brazil was estimated to be possibly as high as 555 whales, using the Gross Annual Reproductive Rate (GARR) of a stable population. This number reflects the increase observed in the population in the recent years, but because this estimate does not incorporate parameters like mortality and/or emigration and immigration, it should be treated with caution and as a preliminary rough estimate only. Interactions between southern right whales and whalewatching boats were studied in 2002 using a surveyor theodolite. It were recorded 65.5 hours of observations before, during and after encounters between mother/calf pairs and boats during 25whalewatching cruises in five different bays. Mean swimming speed varied by bay and approaching phase, (t=4.133, p<0.009 and t=4.06, p<0.004, respectively). No significant differences were found in mean swimming speeds of whales tracked before, during and after encounters with boats (p>0.05). The predicted probabilities of whales heading towards the boats as a function of time were significantly near the expected values in Gamboa and Ibiraquera (p>0.05) but varied significantly during certain time intervals (p<0.001) in Garopaba, Silveira and Rosa. Whales reacted at both long and short distances from boats and the reactions varied with bays. Although long-term impacts are difficult to assess, no clear evidence of immediate disturbance to this right whale population was observed during the study, suggesting that the whalewatching boats operation under Brazilian regulations did not disrupt their behavior. If the number of whales continues to increase they will probably expand their distribution throughout their historical 2,400 km range and come into increasing conflict with human activities. The use of the theodolite techniques, if taken together with those used for long-term monitoring of individual whales and their pattern of habitat use may enable scientists to provide the best possible management advice for whalewatching in order to ensure the proper conservation of target species and the sustainability of this industry on a long-term basis.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/11993
Arquivos Descrição Formato
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