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Criança e imagem no olhar sem corpo do cinema

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Criança e imagem no olhar sem corpo do cinema

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Título Criança e imagem no olhar sem corpo do cinema
Autor Marcello, Fabiana de Amorim
Orientador Fischer, Rosa Maria Bueno
Data 2008
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.
Assunto Cinema
Criança
Imagem
Leitura
Representação
[en] Authorship
[en] Children
[en] Cinema
[en] Image
[fr] Auteur
[fr] Cinéma
[fr] Enfant
[fr] Image
Resumo O tema central desta tese é a análise da imagem da criança no cinema. Para tanto, este trabalho está alicerçado, ele mesmo, numa imagem conceitual tríptica, na qual as noções de criança, imagem, autoria remetem, estruturalmente, a seus três eixos fundamentais. Assim, o objetivo desta pesquisa é desenvolver o conceito de criança a partir de uma perspectiva que privilegia analisar, em imagens fílmicas: 1) uma vontade afirmativa de potência da criança, aliada, nietzschianamente, aos conceitos de “esquecimento” e “novo começo”; 2) a estética e a imagem cinematográfica não como elemento de representação da criança, mas, antes, como efeito-superfície de sua exata produção; 3) a questão da autoria, partindo não do princípio da unidade totalizadora “autor”, mas como processo que consiste, também por parte deste, na organização, sobretudo, de personagens (personae) (STEINER, 2003) e a partir de uma espécie de “assinatura” (FISCHER, 2005) para seus filmes: uma autoria que teria menos a ver com instauração de verdades e mais com meras (e potentes) vibrações, justamente porque a criança, na condição de persona, é tomada, acima de tudo, como prática de criação. Para tanto, dois conjuntos de materiais constituíram-se como corpus de análise. O primeiro conjunto de materiais foi selecionado a partir daquilo que se entende por “cinema de autor”. A escolha deste critério – histórico no campo do cinema – permitiu que, ao invés de tomar o conceito de autoria como dado, ele fosse problematizado a partir das contribuições de Michel Foucault sobre as categorias de “obra” e de “autor”. O segundo conjunto de filmes foi extraído de um amplo levantamento cinematográfico acerca da relação mais ampla entre criança, cinema e autoria e foi selecionado na medida em que se tratava de filmes que punham em operação de forma mais contundente as discussões essenciais neste trabalho (quais sejam, discussões sobre “real e “ficção”, “pureza” e “impureza” da imagem). Temos assim constituído o corpus de análise desta pesquisa: O Garoto (1921), de Charles Chaplin; Zero de Conduta (1933), de Jean Vigo; Vítimas da Tormenta (1946), de Vittorio De Sica; Bom Dia (1959), de Yasujiro Ozu; Os Incompreendidos (1959) e O Garoto Selvagem (1970) de François Truffaut; Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981), de Hector Babenco; Fanny e Alexander (1983), de Ingmar Bergman; Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987), de Abbas Kiarostami; Central do Brasil (1998), de Walter Salles, A Língua das Mariposas (1999), de José Luis Cuerda; Promessas de um Novo Mundo (2001), Justine Shapiro e B. Z. Goldberg; Nascidos em Bordéis (2004), Ross Kauffman e Zana Briski. Por fim, partindo de um entendimento do cinema como arte e da não diferenciação básica entre filmes para criança e filmes para adultos, apresento, propositivamente, algumas bases sobre as quais seria possível efetivar um encontro entre cinema e escola. Entendo que se trata de um trabalho ético e político a ser realizado, tendo em vista que, muitas vezes, a própria escola vem se configurando como o único espaço onde crianças e jovens têm acesso a esse tipo de experiência.
Résumé Le sujet central de cette thèse concerne à l’analyse de l’image de l’enfant au cinéma. Ainsi, ce travail est, lui-même, soutenu par une image conceptuelle triptyque, dans laquelle les notions d’enfant, d’image et d’auteur se remettent structuralement aux trois axes de la thèse. L’objectif de cette recherche est de développer le concept d’enfant à partir d’une perspective qui privilégie décrire dans les analyses filmiques : 1) une volonté affirmative de puissance de l’enfant, soutenue par les concepts nietzschéens d’« oubli » et de « renouveau » ; 2) l’esthétique et l’image cinématographiques pas comme des éléments d’une représentation de l’enfant, mais, avant tout, comme des effets-superficie de sa production ; 3) la question de l’auteur, pas comme une unité totalisatrice, mais comme ce qui consiste à l’organisation de personnages (personae) (STEINER, 2003) et à la composition d’une « signature » (FISCHER, 2005). L’auteur (ou le directeur-auteur), en ce sens, a moins à voir avec l’instauration de vérités et plus avec des vibrations puissantes – parce que l’enfant, à condition de persona, est considéré surtout comme pratique, comme acte de création. Méthodologiquement, le corpus de l’analyse est constitué par deux groupes des matériaux filmiques. Le premier groupe a été sélectionné par le critère de ce qu’on comprend comme « cinéma d’auteur ». Le choix par ce critère – historique dans le domaine du cinéma – a permit qu’au lieu de prendre l’auteur comme une unité donnée, il a été possible de le problématiser à partir des contributions de Michel Foucault en ce qui concerne aux catégories d’«oeuvre » et d’« auteur ». Le deuxième groupe a été dégagé d’un vaste dénombrement cinématographique et les filmes ont été sélectionnés dans la mesure où ils mettaient en jeu d’une façon plus pertinente les discussions centraux de ce travail (discussions sur le « real » et le « fictionnel », la « pureté » et l’« impureté » de l’image). Les films choisis sont : The Kid (1921), de Charles Chaplin; Zéro de Conduite (1933), de Jean Vigo; Sciuscia (1946), de Vittorio De Sica; Bonjour (1959), de Yasujiro Ozu; Les 400 Cents Coups (1959) et L’enfant Sauvage (1970) de François Truffaut; Pixote, La Loi du Plus Faible (1981), de Hector Babenco; Fanny et Alexander (1983), de Ingmar Bergman; Où est la Maison de Mon Ami? (1987), de Abbas Kiarostami; Central do Brasil (1998), de Walter Salles, La Langue des Papillons (1999), de José Luis Cuerda; Promesses (2001), Justine Shapiro e B. Z. Goldberg; Camera Kids (2004), Ross Kauffman e Zana Briski. Finalement, en partant de l’idée du cinéma comme art et d’une non différenciation entre des films pour les enfants et des films pour les adultes, on propose quelques bases sur lesquelles on peut promouvoir un rencontre entre le cinéma et l’école. On comprend que c’est un travail éthique et politique à se faire, d’autant qu’en général l’école est le seul lieu où les enfants et les jeunes peuvent accéder à ce type d’expérience.
Abstract The main subject of this thesis is the analysis of children image in the cinema. As such, this work itself is founded on a tryptich conceptual image; on which the notions of child, image and authorship are its three fundamental axes. Therefore, the objective of this research is to develop the concept of child in a perspective that analyzes, in motion picture images: 1) an will of (affirmative) power of child, associated to the Nietzsche concept of forgetfulness and new beginning; 2) the aesthetics and the cinematographic image as surface-effects of its accurate production, not as an element of child representation; 3) the way some directors create a “signature” for their films: a signature more related to mere (and powerful) vibrations rather than an attempt to establish truth; precisely because here the child is viewed as a practice of creation – as understood by Steiner (2003). Two sets of materials were used to form the corpus for analysis. The first set was selected using the criterion of authorship, more specifically, what is understood as “cinema of author”. The choice of this criterion – historical in the field of cinematography – allowed the concept of authorship to be studied based on Michel Foucault contributions on the categories of “author” and “work”, rather than seen as pure data. The second set of movies was extracted from an extensive cinematographic research about the broad relation between child, cinema and authorship. They were selected for forcefully bringing the essential discussions of this work to surface (being, discussions about “reality” and “fiction”, image “purity” and “impurity” or even about the webs of visibility and enunciability of the cinematographic image). The movies are: The Kid (1923), Charles Chaplin; Zero for Conduct (1933), Jean Vigo; Shoeshine (1946), Vittorio de Sica; Good Morning (1959), Yasujiro Ozu; The 400 Blows (1959) and The Wild Child (1970), François Truffaut; Pixote (1981) Hector Babenco; Fanny and Alexander (1983), Ingmar Bergman; Where Is the Friend’s House? (1987), Abbas Kiarostami; Central Station (1998), de Walter Salles; Butterfly (1999), de José Luis Cuerda; Promises (2001), Justine Shapiro and B. Z. Goldberg; Born into Brothels: Calcutta’s Red Light Kids (2004), Ross Kauffman and Zana Briski. Finally, starting from the understanding of cinema as an art, and the basic non-difference between a movie for children and a movie for adults; I present some basis over which it would be possible to gather cinema and school. It is my understanding that this would be an ethic and politic work considering that, in many cases, the school has been the only space where children and youngsters had access to such movie experiences.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/13262
Arquivos Descrição Formato
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