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Desejo, diferença e sexualidade na educação infantil : uma análise da produção dos sujeitos nas práticas escolares

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Desejo, diferença e sexualidade na educação infantil : uma análise da produção dos sujeitos nas práticas escolares

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Título Desejo, diferença e sexualidade na educação infantil : uma análise da produção dos sujeitos nas práticas escolares
Autor Domingues, Renata Pimenta
Orientador Souza, Nádia Geisa Silveira de
Data 2007
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.
Assunto Desejo
Diferença de sexo
Educação infantil
Escola
Infância
Prática pedagógica
Sexualidade
[en] Childhood
[en] Children education
[en] Differences
[en] Sexuality
Resumo Nesta dissertação, lançamos um olhar para as práticas que ocorrem numa escola de Educação Infantil, visando conhecer as relações e o modo como se lida com as diferenças. Diferenças das crianças entre si, delas com os educadores, as famílias, enfim, as diversas formas de relação que transversalizam a escola. Pensamos o processo de escolarização enquanto produtor dos sujeitos que ingressam ali, e o desejo como motor das diversas relações que acontecem naquele espaço. Sendo assim, o desejo também é produzido nessa rede de relações escolares, funcionando como o tecido onde têm visibilidade afetos, pensamentos, posturas e construções subjetivas. A diferença e o desejo são entendidos a partir das conceituações de Deleuze e Guattari. A sexualidade, enquanto uma das produções desejantes, um dos modos de investimento do poder sobre os corpos e dos corpos sobre o poder, fundamenta-se no conceito de dispositivo da sexualidade proposto por Michel Foucault, cujos estudos genealógicos sobre a produção do corpo nos moveram-nos a problematizar a naturalização da infância e da sexualidade. Realizamos uma pesquisa-intervenção numa escola de Educação Infantil da modalidade "Jardim de Praça", na cidade de Porto Alegre (RS), onde examinamos as relações que funcionavam ali, para pensar outras possibilidades de problematização e reinvenção das práticas escolares. Efetuamos, então, uma cartografia das relações, no espaço escolar, para discutir os encontros das diferenças, no que diz respeito às questões de gênero, sexualidade, classe social, grupo cultural, idade ou, ainda, das diferenças mais cotidianas que não figuram no quadro destas categorias, que figuram no platô dos afectos, sentimentos, desejos das crianças e das educadoras, que percorrem-nas e vazam por entre elas. Nos encontros com os autores estudados e a escola pesquisada, foram sendo tecidos e reconfigurados o problema de pesquisa e as análises. Pesquisar a escola, enquanto uma instituição assentada na visão moderna, implica em se deparar com uma complexidade de práticas sociais que integram os processos constitutivos dos sujeitos. Assim, representa problematizar o que temos produzido cotidianamente em termos desejantes, uma vez que a escola faz parte da nossa constituição em termos de afeto, pensamento e ação no mundo. Neste trabalho, não buscamos olhar 'os diferentes', mas as diferenças num caráter relacional. Na sua realização percebemos que as crianças, as educadoras e os pais são investidos de forças de normalização que visam a capturar as diferenças de suas vidas e, ao mesmo tempo, sustentam-nas em certos momentos, investindo-as uns em relação aos outros. A instituição escolar constrói-se como espaço pouco aberto às diferenças, ainda que haja 7 crianças 'incluídas', uma vez que não se trata a diferença enquanto potência de transformação e construção de novas realidades - conseqüência inevitável das produções desejantes, presentes em toda parte. A diferença é tida hegemonicamente como problema, incômodo, erro, desvio, fracasso, etc. Simultaneamente, as diferenças dos educadores entre si, destes com as crianças e com as famílias também se tornam campo de embates com o poder e tecem formas de resistência e linhas de fuga ao instituído, problematizando o que temos como seguro, dado, palpável e estabelecido.
Abstract In this dissertation, we have looked at practices that occur in a nursery school, aiming at knowing relationships and the way differences have been dealt with. Differences among the children themselves, between them and their educators, families, i.e. several forms of relationships that cross the school. We have thought about the schooling process as producing subjects that attend school, and desire as an engine of many relationships that take place in that space. Thus, desire is also produced in this net of school relationships, functioning as a tissue where affects, thoughts, postures, and subjective constructions acquire visibility. Difference and desire are understood from concepts by Deleuze and Guattari. Sexuality, as one of the desiring productions, one of the ways that power invests in bodies and bodies invest in power, is grounded on the concept of sexuality device as proposed by Michel Foucault, whose genealogical studies on body production have motivated us to problematize the neutralization of childhood and sexuality. We have carried out an intervention-research in a nursery school, "Jardim de Praça" modality, in Porto Alegre (RS), where we have examined relationships that worked there, to think about other possibilities of problematizing and reinventing school practices. Then, we have performed a cartography of relationships in the school environment, to discuss the findings of differences concerning issues of gender, sexuality, social class, cultural group, age, or even more ordinary differences that do not appear in these categories, that occur in the plateau of affects, feelings, desires of children and educators, and that pervade them and leak among them. In the meetings with the authors studied and the school researched, the problem of research and the analyses were woven and reconfigured. Researching school as an institution embedded in the modern view implies confronting a complexity of social practices that integrate the processes that constitute subjects. Hence, this represents problematizing what we have daily produced in desiring terms, since school is part of our constitutions in terms of affect, thought, and action in the world. In this work, we have not attempted to look at "the different", but the differences in a relational character. In its realization, we have perceived that children, educators and parents are invested with normalization forces that aim at capturing differences in their lives and, at the same time, support them at certain moments, investing these differences towards one another. The school institution is constructed as a space open to differences, even though there are "included" children, as it does not mean difference as potency to transformation and construction of new realities - inevitable consequence of desiring productions, present everywhere. Difference is understood frequently as a problem, disturbance, error, deviance, failure, etc. Simultaneously, difference between educators, between them and the children and the families have also become a field of fight with power and have woven forms of resistance and escape lines for what is instituted, problematizing what we see as safe, given, palpable, and established.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/13294
Arquivos Descrição Formato
000643737.pdf (1.323Mb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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