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Entrevista motivacional na prevenção da cárie precoce da infância na Atenção Primária à Saúde

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Entrevista motivacional na prevenção da cárie precoce da infância na Atenção Primária à Saúde

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Título Entrevista motivacional na prevenção da cárie precoce da infância na Atenção Primária à Saúde
Autor Silva, Daniel Demétrio Faustino da
Orientador Hilgert, Juliana Balbinot
Data 2015
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Odontologia. Programa de Pós-Graduação em Odontologia.
Assunto Atenção primária à saúde
Carie dentaria
Entrevista motivacional
[en] Clinical study
[en] Early childhood caries
[en] Motivational interview
[en] Oral health
[en] Primary health care
Resumo Antecedentes: Cárie Precoce da Infância é uma doença de alta prevalência e severidade que acomente crianças nos primeiros anos de vida e por isso necessita de intervenções e abordagens precoces, sendo a primeira infância o período ideal para introduzir bons hábitos e iniciar programas educativo-preventivos de saúde bucal. Objetivos: a presente tese objetivou comparar a efetividade da Entrevista Motivacional (EM) em relação a Educação em Saúde Convencional (EC) em um programa direcionado a mães/pais/responsáveis de crianças para a prevenção da cárie precoce da infância, adicionalmente, verificar a frequência de declarações motivacionais de Dentistas e Técnicos em Saúde Bucal (TSB), antes e após um treinamento para EM, no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). Métodos: um ensaio comunitário randomizado foi realizado no Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição em Porto Alegre – RS, Brasil, onde 6 das 12 unidades de saúde foram sorteadas para que os Dentistas e TSB (n=41) recebessem um treinamento intensivo de 8 horas para aprendizagem ativa dos princípios básicos da EM e avaliados por instrumentos validados. Os exames de cárie foram realizados através do índice ICDAS por examinadores treinados e calibrados. Resultados: em análise preliminar foram avaliadas um total de 244 crianças com idade média de 14,4 meses e que receberam ao menos uma consulta odontológica durante o primeiro ano de vida. Análises de subgrupos foram realizadas para renda equivalente e escolaridade materna. Para ambas as análises, a Entrevista Motivacional teve melhor desempenho entre o grupo mais desfavorecido, mas não teve efeito significativo entre os mais ricos. Entre as crianças cujas famílias recebiam menos de R$ 450,00 mensais houve um RR=0,10 (IC95% 0,01-0,79), enquanto naquelas com ganhos superiores foi RR=0,59 (IC95% 0,10-3,36). Entre as crianças cujas mães tinham escolaridade menor que o fundamental houve um RR=0,09 (IC95% 0,01-0,96), enquanto entre aquelas com ensino fundamental ou mais, foi RR=0,38 (IC95% 0,08-1,89). Para ambas as variáveis, o termo de interação não foi significativa (renda p=0,15 e educação p=0,38). Nos resultados do treinamento dos profissionais para EM após 2 anos, observou-se manutenção da melhora das repostas no instrumento da consulta dialogada com diferença estatisticamente significativa para perguntas abertas, escutas reflexivas e percentual total de acertos (p<0,001), com tamanho de efeito grande (ES=1,12). Para o questionário de resposta útil, os profissionais continuaram usando mais perguntas abertas e escutas reflexivas (p<0,001), mantendo aumento no percentual de respostas compatíveis com EM (p<0,001). Igualmente, o tamanho de efeito manteve-se grande (ES=1,33) ao longo do tempo. Conclusões: embora os resultados sejam preliminares, os achados desse ensaio comunitário randomizado trazem evidências de que a abordagem de educação em saúde bucal baseada nos princípios da Entrevista Motivacional foi mais efetiva na redução de cárie precoce da infância no primeiro ano de vida de crianças de baixa renda e cujas mães tem pouca escolaridade quando comparadas a abordagem convencional. Adicionalmente, conclui-se que o treinamento dos profissionais da equipe de saúde bucal foi efetivo para para habilita-los a atuar dentro do espírito da Entrevista Motivacional, idependentemente da idade, experiência e formação profissional prévia, tornando a EM uma ferramenta viável para a prática na Atenção Primária à Saúde.
Abstract Background: Early childhood caries is a common and severe disease that affects children in their initial years of life. As such, it calls for early intervention and approaches, with early childhood the ideal period to introduce good habits and initiate education and preventative programs for oral health. Objectives: this thesis aimed to compare the effectiveness of Motivational Interviewing (MI) compared to Conventional Education in Health (EC) on a program directed to mothers/parents/guardians of children for the prevention of early childhood caries. Additionally, it studies the regularity of motivation talks by Dentists and Dental Hygienists (DH) before and after training in Motivational Interviewing, within the context of Primary Health Care (PHC). Methods: a randomized community study was held by the Community Health Service of the Conceição Hospital Group in Porto Alegre – RS, Brazil, where 6 of the 12 health units participated in a draw to allow Dentists and DHs (n=41) to undergo an 8-hour intensive training program to actively learn the basic principles of MI and assessed through valid instruments. Exams for caries were performed by trained and qualified examiners using the ICDAS index. Results: on preliminary analysis a total of 244 children were assessed, aging an average of 14,4 months and which had undergone at least one dental visit within the first year of life. Subgroup analyses were conducted for equivalent income and maternal level of education. For both analyses, Motivational Interviewing showed the best performance among the more underprivileged group, though it had no significant effect among the wealthier. Children from families earning less than BRL 450.00/month tended to show RR=0.10 (95%CI: 0.01-0.79), while among those with a higher income an RR=0.59 (95%CI: 0.10-3.36) was noted. Among children whose mothers had an education level below primary, an RR=0.09 (95%CI: 0.01-0.96) was found, while among those with primary education or higher, an RR=0.38 (95%CI: 0.08-1.89) was registered. For both variables, the interaction term was not very significant (income p=0.15 and education p=0.38). MI training results for professionals after 2 years showed stability in improved responses in consultations with dialogue, showing a statistically significant difference for open questions, reflective listening and the total percent of correct responses (p<0.001), with a effect size (ES=1.12). For the useful answer questionnaire, professionals continued using open questions and reflective listening (p<0.001), maintaining an increase in the percent of responses compatible with MI (p<0.001). The dimensions of the effect size were also considerable (ES=1.33) over the course of time. Conclusions: despite only preliminary results, the findings from this randomized community study show evidence that approaching oral health education based on the principles of Motivational Interviewing was more effective in the reduction of early childhood caries among children in the first year of life from lower income backgrounds and whose mothers have little education when compared to the conventional approach. Further, it was concluded that the training of professional from the oral health team was effective in qualifying them to act according to the concept of Motivational Interviewing, regardless of age, experience and previous professional formation, making MI a viable tool in the practice of Primary Health Care.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/133135
Arquivos Descrição Formato
000984430.pdf (11.60Mb) Texto parcial Adobe PDF Visualizar/abrir

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