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A influência do trauma infantil na fibromialgia em mulheres

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A influência do trauma infantil na fibromialgia em mulheres

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Título A influência do trauma infantil na fibromialgia em mulheres
Autor Filippon, Ana Paula Mezacaza
Orientador Freitas, Lucia Helena Machado
Data 2008
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria.
Assunto Fibromialgia
Maus-tratos infantis
Mulheres
Resumo Fundamentação: A fibromialgia é uma doença de elevada prevalência, etiologia desconhecida e terapêuticas insatisfatórias. Apresenta grande impacto negativo na qualidade de vida e na funcionalidade durante o seu curso. Sabese que alguns estudos revelaram a associação entre a fibromialgia e história de trauma na infância em pacientes de serviços terciários, embora a natureza desta relação não seja clara. Os detalhes desta relação são desconhecidos, bem como a sua importância clínica e os fatores que a influenciam. Uma elevada prevalência de depressão tem sido observada nos paciente com fibromialgia. Estudos que avaliem a inter-relação entre fibromialgia, trauma infantil e depressão não estão disponíveis. Objetivo: Este estudo objetivou investigar a relação entre trauma na infância e perda de funcionalidade em mulheres adultas com fibromialgia. Um segundo objetivo foi determinar se havia alguma influência da depressão nesta relação. Método: Todas as mulheres que procuraram atendimento no Serviço de Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e receberam o diagnóstico de fibromialgia no período de abril de 2005 a junho de 2006 e de junho de 2007 a novembro de 2007 foram incluídas este estudo. A fibromialgia foi diagnosticada por médicos especialistas em dor de acordo com os critérios do Colégio Americano de Reumatologia. Pacientes com menos de 18 anos e as analfabetas foram excluídas. Um total de 145 pacientes preencheu os critérios de inclusão. Destas, 114 (79%) completaram as entrevistas e foram incluídas na presente análise. Não houve recusas. A quantidade e a qualidade do trauma na infância foram medidas pelo Childhood Trauma Questionnaire e a perda de funcionalidade usando o Fibromyalgia Impact Questionnaire. O diagnóstico de depressão foi realizado através de entrevista psiquiátrica padrão e confirmado pelo Mini International Neuropsychiatric Interview – Brazilian version 5.0.0. Dados clínico-demográficos foram coletados através de entrevista semiestruturada. Resultados: O modelo de regressão linear revelou uma perda significativa da funcionalidade na presença de trauma, especialmente na subamostra relatando trauma de maior intensidade. Quando a amostra foi estratificada de acordo com a presença de depressão, a associação dos escores de trauma com a perda da funcionalidade ficou mais evidente na ausência de depressão mesmo ajustando-se para idade e uso de medicações psicotrópicas. Conclusão: Trauma na infância está associado de forma importante à perda de funcionalidade em mulheres adultas com fibromialgia. Há uma diferença na associação de perda de funcionalidade e trauma na presença de depressão. Pacientes sem depressão apresentaram maior perda de funcionalidade associada à história de trauma na infância. Nós formulamos algumas hipóteses baseadas nas teorias psicanalíticas. De acordo com a Escola Psicossomática de Paris, traumas precoces podem causar falhas na estruturação psíquica levando a sintomas somáticos, ao invés de defesas mentais. São necessários novos estudos para elucidar a patofisiologia da fibromialgia e para desenvolver estratégias de prevenção e tratamento para esta condição. O impacto do trauma infantil e o papel da depressão no curso clínico da fibromialgia deverão ser avaliados em estudos prospectivos.
Abstract Background: Fibromyalgia is a high prevalence disease, of unknown etiology e unsatisfactory therapeutics. It has great negative impact on the quality of life and functionality during its course. It’s known that some studies revealed an association between fibromyalgia and childhood trauma history in patients from tertiary care, however the nature of this relationship is unclear. The details of this relationship are unknown, as is its clinical importance and intervening factors. A high prevalence of depression has been observed among fibromyalgia patients. Studies that evaluate the interrelationships between fibromyalgia, childhood trauma and depression are not available. Objective: This study aims to investigate the relationship between childhood trauma and functionality loss among adult women with fibromyalgia. A second objective was to determine whether there was any influence of depression in this relationship. Method: All women who sought medical care at the Pain and Palliative Care Department Program in the Hospital de Clínicas de Porto Alegre and received fibromyalgia diagnoses in the period from April 2005 to April 2006 and from June 2007 to November 2007 were included in the study. Fibromyalgia was diagnosed by medical pain specialists following the American College of Rheumatology diagnostic criteria. Patients under the age of 18 or illiterates were excluded. A total of 145 patients fulfilled the inclusion criteria. From these 114 (79%) completed the interviews and are included in the present analysis. There were no refusals. Childhood trauma intensity and quality was measured using The Childhood Trauma Questionnaire and functionality loss using the Fibromyalgia Impact Questionnaire. Depression diagnoses was made by regular psychiatry interview and confirmed by Mini International Neuropsychiatric Interview – Brazilian version 5.0.0. Clinical and demographics data were collected by semi-structured interviews. Results: The linear regression model reveals a significant decrease in functionality in the presence of trauma, especially in the sub-sample reporting high intensity trauma. When the sample was stratified according to the presence of depression, the association of trauma scores with functionality loss was more marked among non-depression even after adjusting for age and use of psychotropic medication. Conclusions: Childhood trauma was importantly associated with functionality loss among adult women with fibromyalgia. There is a difference in the association of functionality loss and trauma in the presence of depression. Patients without depression evidenced higher loss of functionality associated to childhood trauma history. We formulate some hypothesis based on psychoanalytical theories. According to the Psychosomatic Paris School, early traumas could cause failures of psychic structuring leading to somatic symptoms, instead of mental defenses. New studies are required also to elucidate the fibromyalgia pathophysiology and develop strategies for preventing and treating this condition. The impact of childhood trauma and the role of depression on the clinical course of fibromyalgia should be further evaluated in prospective studies.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/14036
Arquivos Descrição Formato
000652920.pdf (373.8Kb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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