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Autogestão do uso de medicamentos pela população brasileira

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Autogestão do uso de medicamentos pela população brasileira

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Título Autogestão do uso de medicamentos pela população brasileira
Autor Pons, Emilia da Silva
Orientador Mengue, Sotero Serrate
Co-orientador Knauth, Daniela Riva
Data 2016
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia.
Assunto Automedicação
Uso de medicamentos
[en] Collaborative care
[en] Intentional non-adherence
[en] Medications
[en] Self-management
[en] Self-medication
Resumo O uso de medicamentos representa um dos recursos terapêuticos mais utilizados na resolução de grande parte dos problemas e situações em saúde. Nesse contexto, o interesse na forma como os pacientes gerem suas doenças e tratamentos farmacológicos tem crescido em importância. Esta tese objetivou compreender as dimensões da autogestão do uso de medicamentos e variáveis associadas na população brasileira. Para isso, foram analisados três comportamentos relacionados ao uso de medicamentos: a automedicação, a não-adesão intencional e as alterações das doses prescritas. Os dados analisados são provenientes da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos no Brasil (PNAUM), estudo transversal realizado entre os meses de setembro de 2013 e janeiro de 2014 em 245 municípios brasileiros distribuídos nas cinco regiões geográficas do país. A população do estudo foram os indivíduos residentes em domicílios permanentes na zona urbana do território brasileiro. Nesta tese, foram analisados os dados de 31.573 indivíduos com idade igual ou superior a 20 anos. Modelos de Regressão de Poisson com ajuste robusto da variância foram utilizados a fim de estimar o efeito independente de cada variável nos três comportamentos estudados. Entre os entrevistados, 73,6% declararam utilizar algum medicamento sem indicação médica quando já fizeram uso do mesmo produto anteriormente, 73,8% declararam utilizar medicamentos sem prescrição médica quando já tem o medicamento em casa e 35,5% declararam utilizar algum medicamento sem prescrição quando conhecem alguém que já tomou o mesmo medicamento. As variáveis que se mostraram associadas à maior probabilidade de uso de medicamentos por automedicação foram: região geográfica do Brasil, sexo, faixa etária, renda per capita, auto avaliação da saúde, declaração de que usa medicamento sem prescrição médica quando já usou o mesmo medicamento anteriormente e declaração de que usa medicamento sem prescrição médica quando já tem o medicamento em casa. Mais da metade dos entrevistados relataram alguma situação de automedicação, enquanto que 38% relataram deixar intencionalmente de tomar medicamentos prescritos em alguma situação. Com relação às alterações nas prescrições, 8,8% dos entrevistados relataram amentar a dose dos medicamentos em alguma situação e mais de 21% relataram diminuir a dose. Nos modelos de regressão ajustados, as variáveis sexo, idade e autoavaliação de saúde mostraram-se associadas à não-adesão intencional. As alterações de dose aparecem associadas à idade, renda e autoavaliação de saúde. Os resultados indicam, portanto, que um percentual significativo da população brasileira utiliza medicamentos não exclusivamente da forma como são prescritos pelo médico. Buscando contemplar esses diferentes comportamentos cotidianos dos indivíduos em relação aos medicamentos, a presente tese propôs o conceito de “autogestão do uso de medicamentos”. Esse conceito visa ampliar a compreensão do uso de medicamentos para além da adesão às prescrições médicas como já indicado no conceito de medication self-management e de compliance. A partir dessa perspectiva, destaca-se a necessidade de adoção de outros paradigmas nos cuidados em saúde, como o dos cuidados colaborativos e da corporalidade (lived body), onde o próprio indivíduo, com a colaboração dos profissionais da saúde, tome as decisões sobre as estratégias mais adequadas de tratamento e promoção da saúde.
Abstract The use of medications represents one of the most utilized therapeutic resources to the resolution of most health problems and situations. In this context, the interest in how patients manage their diseases and pharmacological treatment has increased. This thesis had as main objective to comprehend the self-management of medications use and related variables on the Brazilian population. Three behaviors related to the use of medications were analyzed: self-medication, intentional non-adherence and prescribed doses changes. Analyzed data are part of the “Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos no Brasil (PNAUM)”, a cross-sectional study performed between September 2013 and January 2014 in 245 Brazilian cities in the five geographic regions. Study population were individuals living permanently in the urban area of Brazil. In this thesis, data from 31.573 individuals aged 20 years or above were analyzed. Poisson Regression Models with robust variance adjustment were used to estimate independent effect of each variable on the three studied behaviors. Among the interviewed, 73.6% have declared the use of any medication without medical prescription when they have used the same product previously, 73.8% have declared the use of not prescribed drugs when the medication is available at home and, 35.5% have declared to use any drug without medical prescription when someone they know have used the same medication. Variables related to higher probability of drug use by self-medication were: geographic region, gender, age, per capita income, health self-evaluation, the use without medical prescription of the same drug used before and the use without medical prescription when the drug is available at home declarations. More than half of the interviewed reported any situation of self-medication while 38% reported to, intentionally, stop taking prescribed medications in any situation. Regarding prescription alterations, 8.8% of the interviewed reported to increase the medication dose in any situation and more than 21% reported to decrease medication dose. On the adjusted regression models variables as gender, age and health self-evaluation showed to be related to intentional nonadherence. Dose changes are related to age, income and health self-evaluation. Therefore, results show that a significant percentage of the Brazilian population uses medications not exclusively as they are prescribed by the physician. Seeking to address these different daily behaviors of individuals regarding medications, this thesis has proposed the concept of “self-management of medications use”. This concept aims to amplify the comprehension of medications use beyond medical prescriptions adherence as already indicated in the concept of medication self-management and compliance. From this perspective stands out the need of other paradigms introduction on health care, such as collaborative care and lived body, in which the individual himself, with health professionals’ collaboration, take the decisions about the most adequate treatment strategies and health promotion.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/148080
Arquivos Descrição Formato
000998686.pdf (1.473Mb) Texto parcial Adobe PDF Visualizar/abrir

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