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Percepção das desigualdades socioeconômicas : estudo sobre jovens universitários em Porto Alegre, RS

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Percepção das desigualdades socioeconômicas : estudo sobre jovens universitários em Porto Alegre, RS

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Título Percepção das desigualdades socioeconômicas : estudo sobre jovens universitários em Porto Alegre, RS
Autor Kieling, Francisco dos Santos
Orientador Cattani, Antonio David
Data 2008
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Sociologia.
Assunto Desigualdades socioeconômicas
Dissertação
Estratificação social
Estudantes universitarios
Grupos sociais
Sociologia do conhecimento
Resumo A percepção generalizada sobre a intensidade da desigualdade socioeconômica é uma questão que poderia ser considerada óbvia no caso brasileiro. A denúncia desse fenômeno por grupos populares desde muito antes da independência política; a realização de estudos desde a década de 1930; e as inúmeras reportagens e relatórios recentes que situam o Brasil no grupo dos países mais desiguais do mundo, poderiam tornar sua percepção uma obviedade. Esse trabalho problematizou junto a um grupo de jovens universitários se a desigualdade, enquanto problema social era percebida de forma homogênea por grupos com distintas trajetórias e origens sociais. Para se chegar até essa problematização, percorreu-se um caminho teórico que passou pela reconstrução dos argumentos centrais: da Sociologia do Conhecimento mannheimiana; de recentes contribuições da sociologia brasileira sobre as desigualdades locais; e de estudos sobre socialização. A realização da pesquisa com jovens exigiu um estudo específico sobre particularidades que constituem essa fase da vida. As teorias de estratificação revisitadas possibilitaram definir o pólo beneficiado pela situação social como classes sociais ricas. As percepções sobre desigualdade socioeconômica foram abordadas a partir de assuntos públicos que estiveram em debate ao longo da última década. Ao todo foram aplicados 162 junto a estudantes de oito cursos superiores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dos quais 158 foram aproveitados na análise. A amostra foi estratificada de quatro formas diferentes: pelo Índice de Estratificação criado exclusivamente para a pesquisa; pela origem social, captada pela posição profissional do pai; pela trajetória escolar, definida pelo tipo de escola freqüentada; e pela renda familiar declarada. A seguir, captou-se a correlação entre as estratificações realizadas e as percepções sobre a desigualdade sócio-econômica. Dessa forma, foi possível relacionar e hierarquizar os fatores socializadores específicos com as percepções sociais. Para a análise diferenciaram-se as respostas em três categorias: nível de reconhecimento da desigualdade como um problema social estruturante das relações sociais no país; posicionamento aproximado às reivindicações igualitaristas, caracterizado como progressista; e posicionamento aproximado às reivindicações não-igualitaristas, caracterizado como conservador. Através do método da estratificação cruzada revelou-se que os indicadores que explicam o maior reconhecimento da desigualdade como problema são a trajetória escolar em escolas públicas, o pertencimento ao GSE C e a posição profissional do pai como funcionário. A segunda categoria apontou para um posicionamento progressista em relação ao equacionamento da desigualdade sócio-econômica. O exercício apontou para uma correlação mais forte entre o posicionamento progressista e as variáveis: trajetória escolar em estabelecimentos públicos, posição profissional do pai entre filhos de autônomos e funcionários. A terceira categoria indicou o posicionamento conservador em relação ao equacionamento da desigualdade. O procedimento adotado revelou uma correlação mais forte entre posicionamento mais conservador e as variáveis: renda familiar elevada; posição profissional do pai entre filhos de “executivos” e de autônomos. A apresentação dos dados e a análise a partir das categorias construídas indicam que há um padrão em torno de algumas variáveis do processo socializador que condicionam o modo de perceber a realidade social e sua dinâmica. Existe, tendencialmente, uma polarização entre um posicionamento mais conservador em relação ao enfrentamento da desigualdade socioeconômica naqueles egressos de escolas privadas, filhos de “executivos” e oriundos de famílias ricas, por um lado; e mais progressista entre os egressos de escolas públicas, filhos de funcionários e membros do grupo médio-baixo, por outro.
Abstract The generalized perception about the intensity of the social economic inequality is an issue that could be considered obvious in the Brazilian case. The complaint of this phenomenon by popular groups since long before political independence, the realization of studies since the 1930’s and the several reports that place Brazil in the group of the most unequal countries in the world, could make its perception an obviousness. This paper problematized in a group of young undergraduate students if the inequality, as a social problem, were noticed in a homogenous way by groups with different developments and social origins. To come to this problematization, it was taken a theoretical path that passed by the reconstruction of the central arguments: the Mannheimian Sociology of Knowledge, recent contributions of the Brazilian sociology about local inequalities and studies about socialization. The realization of the survey with young ones demanded a specific study about the particularities that constitute this stage of life. The reviewed theories of stratification enabled defining the benefit pole by the social situation, such as the rich social classes. The perceptions about social economical inequality were approached from public issues that were on debate through the last decade. It was applied 162 to students from eight undergraduate courses of the Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS), from which 158 were used in this analysis. The sample was stratified in four different ways: by the Stratification Rate created exclusively for this research; by the social origin, taken from the father’s professional position; by the school career, defined by the kind of school they have gone to; and by the declared familiar income. Following, it was taken the correlation between the realized stratifications and the perceptions about the social economical inequality. In this way, it was possible to relate and hierarchizate the specific socializing factors with the social perceptions. For this analysis the answers were divided in three categories: level of awareness of the inequality as a social problem that structures the social relations in this country; the positioning close to the equalitarian claim, characterized as progressist; and the positioning close to the non-equalitarian claim, characterized as conservative. Through the crossed stratification method it was revealed that the indicators that explain the greatest awareness of inequality as a problem are the school career in public schools, being part of the GSE C and the professional position of the father as employee. The second category pointed to a progressist positioning in relation to the equalization of the social economical inequality. The activity pointed to a stronger correlation between the progressist positioning and the variants: school career in public schools, professional position of the father between children of autonomous workers and employees. The third category indicated the conservative positioning relating to the equalization of the inequality. The adopted procedure revealed a stronger correlation between the more conservative positioning and the variants: high familiar income; professional position of the father between children of executives and autonomous workers. The presentation of data and the analysis from the built categories indicate that there is a pattern in some variants of socializing process that conditions the way of realizing the social reality and its dynamics. There is, tendentiously, a polarization between a more conservative positioning in relation to facing the social economical inequality in those who come from private schools, children of executives and born in rich families. On the other hand, there is a more progressist positioning among those who come from public schools, children of employees and members of the medium-low group.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/14992
Arquivos Descrição Formato
000672992.pdf (659.1Kb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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