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Concepção de experiência em Walter Benjamin

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Concepção de experiência em Walter Benjamin

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Título Concepção de experiência em Walter Benjamin
Autor Meinerz, Andréia
Orientador Rosenfield, Kathrin Holzermayr Lerrer
Data 2008
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Filosofia.
Assunto Benjamin, Walter 1892-1940.
Critica e interpretacao
Esquecimento
Experiência
Filosofia alemã
História da filosofia
Literatura alemã
Memória
Metafísica
Modernidade
Vivência
[en] Enduring experience
[en] Fleeting experience/ephemera
[en] Memory
[en] Modernity
[en] Oblivion
Resumo A presente dissertação tem por objetivo apresentar a degradação da experiência humana na modernidade a partir do diagnóstico feito por Walter Benjamin. Para tanto, num primeiro momento, parte-se de um rápido percurso da história da filosofia a fim de delinear o conceito de experiência e analisar um dos primeiros textos em que Benjamin trata diretamente do assunto, “Sobre um programa da filosofia vindoura”. Num segundo momento, busca-se demonstrar como vai acontecendo a decadência da experiência a partir do ensaio “Experiência e pobreza”, em que Benjamin considera que aos pobres de experiência resta apenas assumir uma nova barbárie. O tema também aparece em “O narrador”, em que o autor demonstra o aniquilamento de uma experiência, outrora sinônimo de sabedoria e autoridade, consolidada por meio de sua transmissão de geração em geração, própria de uma organização coletiva, comunitária, ritualística e artesanal. As formas narrativas correspondentes são sintomáticas deste processo de esfacelamento da experiência: a narração - que vigorava no solo de um tempo onde ainda tinha-se tempo para contar e ouvir histórias - fora substituída pelo romance, caracterizador dos indivíduos isolados e solitários, e este, por sua vez, substituído pela informação jornalística, forma narrativa fragmentada e desconexa. Analisar a questão da experiência (erfahrung) em Walter Benjamin é contrapô-la à noção de vivência (erlebnis). Na esfera da vivência, saturada de eventos e sensações, resta ao ser humano a capacidade de reagir a esses estímulos (reportando à noção de choque em Freud). A memória (e seu correlato – o esquecimento) é imprescindível à experiência, mas perante os choques, o ser humano só armazena suas vivências na camada mais superficial da consciência, impossibilitando recursos para a experiência estética ou poética. Num terceiro momento, procura-se, nesse estudo, fazer um diálogo entre as constatações e os conceitos da filosofia da experiência benjaminianas com algumas imagens literárias, buscando, na literatura, elementos que vicejam a reflexão filosófica. O conto de Jorge Luis Borges - “Funes, o memorioso” - e o trecho de “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez, sobre a doença do esquecimento, são preciosos mananciais para esse fim. Por último, problematiza-se a constatação da degradação da experiência na modernidade. Discute-se a possibilidade da realização da experiência, bem como o resgate de seu aniquilamento provocado pelas idiossincrasias da contemporaneidade e, ainda, quais espaços propiciariam este possível resgate.
Abstract This thesis presents the degradation of human experience based on Walter Benjamin’s diagnosis of it. In order to do that, firstly a brief overview of the history of philosophy is presented so as to delineate the concept of experience and analyze one of the first texts in which Benjamin directly deals with the subject (“Sobre um programa da filosofia vindoura” – “On the Program of the Coming Philosophy”). Secondly, the decadence of experience is demonstrated in the essay “Experiência e pobreza” (“Experience and Poverty”), in which Benjamin considers that the poor of experience are left with only taking on a new barbarism. That theme is also dealt with in “O narrador” (“The Narrator”), in which the author demonstrates the annihilation of an experience once synonymous with wisdom and authority, consolidated through its transmission from generation to generation and proper to a collective, communitarian, ritualistic, and artisanal organization. The corresponding narrative forms are symptomatic of that process of experience ruin: narration, which thrived at a time when one had time to tell and listen to stories, was replaced by the novel, a characterizer of isolated and lonely individuals. The latter, in its turn, was replaced by journalistic information, a fragmented and disconnected narrative form. Analyzing the issue of enduring experience (erfahrung) in Walter Benjamin means opposing it to the notion of fleeting experience/ephemera (erlebnis). In the sphere of fleeting experience/ephemera, saturated with events and sensations, the human being is left with the capacity to react to those stimuli (reminding us of Freud’s notion of shock). Memory (and its correlate – oblivion) is essential to enduring experience, but in the presence of shocks, the human being only stores his fleeting experiences/ephemera on the most superficial layer of consciousness, precluding resources for the aesthetic or poetic experience. At a third moment, this study promotes a dialogue between the realizations and concepts mentioned above and some literary images, searching in literature for elements which cause philosophic reflection to bloom. Jorge Luis Borges’ short story “Funes, o memorioso” (“Funes the Memorious”) and the extract from Gabriel García Marquez’s Cem anos de solidão (One Hundred Years of Solitude) about the disease of forgetfulness are precious sources for that end. Lastly, the realization of the experience ruin in modernity is discussed. Is it still possible to have an enduring experience and rescue it from its annihilation caused by the idiosyncrasies of contemporary times? What possible spaces would allow that rescue?
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/15305
Arquivos Descrição Formato
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