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A sociocriosfera nos Andes Centrais: percepções, adaptações e impactos dos desastres glaciais no Callejón de Huaylas, Peru

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A sociocriosfera nos Andes Centrais: percepções, adaptações e impactos dos desastres glaciais no Callejón de Huaylas, Peru

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Título A sociocriosfera nos Andes Centrais: percepções, adaptações e impactos dos desastres glaciais no Callejón de Huaylas, Peru
Outro título Sociocryosphere in the central Andes: perceptions, adaptations and impacts of glacial disasters in the Callejón de Huaylas, Peru
Autor Figueiredo, Anderson Ribeiro de
Orientador Simões, Jefferson Cardia
Co-orientador Menegat, Rualdo
Data 2017
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Geociências. Programa de Pós-Graduação em Geografia.
Assunto Civilização pré-colombiana
Desastres naturais
Etnoconhecimento
Mudanças climáticas
[en] Callejón de Huaylas
[en] Climate change
[en] Ethnoknowledge
[en] Glacial disasters
[en] Pre-Columbian civilizations
Resumo Este trabalho investigou a sociocriosfera nos Andes Centrais e examinou as percepções, adaptações e os impactos dos desastres glaciais nos povoados do Callejón de Huaylas, Peru. Trata-se de um estudo de caso que se utiliza de conceitos de cultura, adaptação, risco, perigo e desastre para compreender de forma integrada os efeitos advindos de mudanças climáticas regionais e as relações existentes entre os povoados do Callejón de Huaylas com as geleiras adjacentes. O trabalho teve como base os aportes teórico-metodológicos da Geografia Física e da abordagem cultural na Geografia para entender os problemas físicos e humanos advindos da ocupação de uma região inóspita. A investigação foi estruturada em três momentos: primeiramente, foi realizada a construção dos cenários físicos dos desastres glaciais, por meio de uma série de instrumentos – como mapas geológico, geomorfológico, de declividade, de uso e ocupação do solo e dos principais riscos glaciais do flanco ocidental do Nevado Huascarán (Cordilheira Branca). Posteriormente, foi investigado o processo civilizatório andino no Callejón de Huaylas – com base, principalmente, em evidências arqueológicas, foi gerado o mapa de localização dos assentamentos pré-colombianos, de acordo com os estágios de desenvolvimento cultural. O terceiro momento refere-se à identificação dos efeitos pós-coloniais e de ocupação humana em zonas de alto perigo na região periglacial, aumentando o risco dessas comunidades. Assim, no campo dos cenários físicos, a integração dos registros geológicos e geomorfológicos mostrou o dinamismo das regiões periglaciais andinas, ou seja, desde longa data a paisagem vem sendo definida pela dinâmica glacial Os principais vetores da dinâmica do fluxo de massas, desencadeada por ação glacial direta e indireta, permitiu a delimitação das principais regiões de perigo. Nessas regiões, situa-se grande parte da infraestrutura agrícola atual, e no caso da cidade de Huaraz (9°31'42"S e 77°31'37"O), grande parte das áreas urbanas, mostrando o grande risco ao qual está submetida. Por outro lado, sítios arqueológicos como Keushu (9°5'24"S e 77°41'59"O), não se encontram em zonas de grande perigo de fluxos decorrentes da dinâmica glacial. No cenário do processo civilizatório, os assentamentos das culturas pré-colombianas localizavam-se, predominantemente, em zonas elevadas, distantes dos trajetos de aluviões. Portanto, consideramos que as culturas pré-colombianas adaptaram-se aos perigos dos desastres glaciais. Nesse sentido, é pertinente reconhecer que essas populações gestaram um essencial etnoconhecimento andino. As cidades modernas mais populosas, como Huaraz, que estão em áreas de alto risco de desastres glaciais, tem origem na época colonial. Assim, o período colonial resultou não apenas na espoliação das riquezas dos Andes, mas, sobretudo, na desestruturação de um sistema cognitivo milenar. O processo de desterritorialização produzido pelos desastres glaciais provocou, para além de perdas econômicas, perdas de relações, que afetam a existência da pessoa produzindo, portanto, perdas irreparáveis. A reterritorialização dos locais suscetíveis aos desastres glaciais se dá pela necessidade de se ter um lugar (para plantar, para viver), mas também devido aos sentimentos topofílicos que se referem ao elo afetivo existente entre a pessoa e o lugar. Em suma, este trabalho mostra que o modelo de sociedade pós-colonial tende a inviabilizar possíveis estratégias de adaptação às mudanças climáticas no Callejón de Huaylas.
Abstract This work investigated the sociocryosphere of the central Andes, examining perceptions, adaptations and impacts of glacial disasters on the towns of the Callejón de Huaylas, Peru. It is a case study that uses concepts of culture, adaptation, risk, hazard and disaster to comprehend in an integrated way the effects of regional climate changes and the existing relations between the villages of the Callejón de Huaylas and adjacent glaciers. The work is based on the Physical Geography theoretical-methodological contributions and the cultural approach in Geography to understand the physical and human problems arising from the occupation of an inhospitable region. The research was structured in three moments. Firstly, the physical scenarios of glacial disasters were constructed through a series of instruments - such as geological, geomorphological, slope, land use and occupation maps and the main glacial hazards of the western flank of the Nevado Huascarán (Cordillera Blanca). Subsequently, the Andean civilization process was investigated in the Callejón de Huaylas - based, mainly, on archaeological evidence, the map of the pre-Columbian settlements location was generated, according to the cultural development stages. The third point concerns the identification of post-colonial effects and human occupation in the periglacial region high-danger zones, increasing the risk of these communities. Thus, in the field of physical scenarios, the integration of geological and geomorphological records showed the dynamism of Andean periglacial regions, that is, the landscape has long been defined by glacial dynamics. The main mass flow dynamics vectors, triggered by direct and indirect glacial action, allowed the delimitation of the main danger regions A large part of the present agricultural infrastructure is located in these regions, and in the case of the city of Huaraz (9°31'42"S e 77°31'37"O), a great part of the urban areas, showing the great risk to which it is submitted. On the other hand, archaeological sites like Keushu (9°5'24"S e 77°41'59"O) are not in zones of great danger of flows from glacial dynamics. In the civilization process scenario, the pre-Columbian cultures settlements were located, mainly, in elevated zones, far from the alluvial paths. Therefore, we consider that pre-Columbian cultures have adapted to the hazards of glacial disasters. In this sense, it is pertinent to recognize that these populations have generated an essential Andean ethno-cognition. The most populous modern cities, such as Huaraz, in areas of high risk of glacial disasters, originated in the colonial time. Thus the colonial period resulted not only in the spoliation of the riches of the Andes, but above all, in the deconstruction of a millenarian cognitive system. The process of deterritorialization produced by glacial disasters has caused, in addition to economic losses, loss of relationships, which affect the person's existence, thus producing irreparable losses. The reterritorialization of sites susceptible to glacial disasters is due to the need to have a place (to plant, to live), but also due to the topophilic feelings that refer to the affective link between the person and the place. In short, this work shows that the postcolonial society model tends to make impossible strategies to adapt to climate change in the Callejón de Huaylas.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/156775
Arquivos Descrição Formato
001017195.pdf (21.44Mb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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