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Doença neurológica em ruminantes associada ao consumo de bagaço de malte contaminado por Aspergillus clavatus

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Doença neurológica em ruminantes associada ao consumo de bagaço de malte contaminado por Aspergillus clavatus

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Título Doença neurológica em ruminantes associada ao consumo de bagaço de malte contaminado por Aspergillus clavatus
Autor Bezerra Junior, Pedro Soares
Orientador Driemeier, David
Data 2008
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Veterinária. Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias.
Assunto Aspergillus clavatus
Intoxicação
Patologia veterinaria : Ruminantes
Resumo São descritos dois surtos de uma doença neurológica que afetou rebanhos bovinos de aptidão leiteira alimentados com bagaço de malte contaminado por Aspergillus clavatus, no município de Viamão, estado do Rio Grande do Sul. A morbidade foi semelhante em ambos os surtos (em torno de 30%). Em uma propriedade de 10 bovinos que consumiam o subproduto três adoeceram e morreram e na outra de 33 bovinos, 10 foram afetados e 5 desses morreram. A evolução clínica da doença variou de 5 a 64 dias. Dos animais que se recuperaram apenas um permaneceu com seqüelas locomotoras leves. Os sinais clínicos eram predominantemente locomotores e incluíam tremores musculares, hiperestesia e membros pélvicos com ataxia, paresia e paralisia progressivas e apoio sobre os boletos. Os distúrbios locomotores eram intensificados pelo exercício que em geral desencadeava quedas. Havia queda na produção leiteira, mas o apetite e dipsia foram mantidos até próximo da morte ou eutanásia. Cinco bovinos foram necropsiados e dois apresentaram lesões macroscópicas nos músculos esqueléticos, principalmente dos membros pélvicos e torácicos, que consistiam de áreas claras bilaterais e relativamente simétricas. Histologicamente, as lesões musculares se caracterizavam por miopatia degenerativo-necrótica segmentar, por vezes associada a mineralização, regeneração e fibrose. No sistema nervoso os principais achados microscópicos consistiam de degeneração e necrose neuronal cromatolítica em núcleos nervosos específicos no tronco encefálico, cornos ventrais da medula espinhal e gânglios espinhais, trigeminal, estrelado e celíaco. No tronco encefálico as lesões foram observadas nos núcleos vermelhos, formação reticular da ponte, motor dorsal do nervo vago e ambíguo. Em dois bovinos havia adicionalmente degeneração walleriana nos funículos dorsais da medula espinhal, nervos isquiádicos e fibulares. Através da lectina-histoquímica foi evidenciado acúmulo de glicoconjugados contendo oligossacarídeos N-ligados ricos em manose no pericário de neurônios cromatolíticos de bovinos. As lectinas Concanavalian ensiformis e Triticum vulgaris apresentaram as melhores marcações. A doença foi reproduzida experimentalmente em sete ovinos. A três destes foram administrados 40g/kg por dia do bagaço de malte utilizado nas propriedades onde ocorreram os surtos espontâneos em bovinos por períodos de 2, 3 ou 19 dias. Os primeiros sinais clínicos foram observados 51 a 147 horas após a primeira administração e a evolução clínica até o óbito ou eutanásia foi de aproximadamente 39 a 288 horas. A quatro ovinos foram administrados 12ml/kg por dia de cultura pura de A. clavatus por 4 ou 6 dias. Os primeiros sinais clínicos nesses ovinos foram observados 72 horas após a primeira administração e a evolução clínica foi de 37 a 96 horas. Os sinais clínicos foram semelhantes aos dos casos naturais, sendo proeminentes a hiperestesia, os tremores musculares e a taquipnéia. Nenhum dos sete ovinos apresentou lesões macroscópicas. A distribuição topográfica das lesões neuronais nos ovinos foi semelhante à dos bovinos. Porém, a tumefação neuronal e as alterações regressivas eram menos proeminentes nos ovinos. Três de sete ovinos apresentaram lesões musculares que foram leves e não associadas a processos regenerativos ou mineralização.
Abstract Two outbreaks of a neurological disease affecting herds of dairy cattle that were fed moldy beer residues contaminated with Aspergillus clavatus in the county of Viamão, Rio Grande do Sul, Brazil, are described. The morbidity of both outbreaks was of 30%. Among 10 bovines that had fed the beer by-product at one farm, three were affected and died. On another farm, among 33 bovines, 10 were affected and five died. The clinical evolution varied from 5 to 64 days. Only one of the animals that recovered from the disease remained with mild locomotor sequels. The clinical signs were predominantly locomotor and included muscle tremors, hyperesthesia and progressive posterior ataxia, paresis and paralysis with knuckling of fetlocks of the hind limbs. Gait abnormalities were more pronounced after exercises that in general led to falling down. There was also reduced milk production, but appetite and water intake were maintained until close to death or euthanasia. Five cattle were necropsied and two presented macroscopic lesions consisting of white areas with bilateral symmetric distribution mainly in pelvic and thoracic limbs muscles. Histologically muscular lesions were characterized by segmental degenerative-necrotic myopathy, sometimes associated with mineralization, regeneration and fibrosis. In the nervous system the main histological finding consisted of chromatolytic neuronal degeneration and necrosis in selected nuclei of the brain stem, the ventral horn of the spinal cord and spinal, trigeminal, stellate and celiac ganglions. In the brain stem lesions were observed in the red nuclei, reticular formation of the pons and dorsal motor of the vagus nerve and ambiguous nuclei. In two cattle there was Wallerian degeneration in dorsal funiculi of the spinal cord and ischiadic and fibular nerves. The lectin-histochemistry showed accumulation of glycoconjugates with N-linked high-manose oligosaccharides in the chromatolytic neuron perikaryon of bovines. Concanavalian ensiformis and Triticum vulgaris lectins showed the best staining. The disease was reproduced experimentally in seven sheep. Three sheep received 40g/kg/day of beer by-product originated from two farms where outbreaks of A. clavatus poisoning in cattle had occurred. The administration of by-product was carried on for two, three or 19 days. The first clinical signs in these sheep were observed after 51 to 147 hours of the first administration of by-product, and the clinical course lasted from 39 to 288 hours. Four sheep received 12 ml/kg/day of pure culture of the fungus for four or six days. In these sheep the first clinical signs were observed 72 hours after the first administration and the clinical evolution was of 37 to 96 hours. Clinical signs were similar to the natural cases, but hyperesthesia, muscle tremors and tachypnea were most prominent. There were no macroscopic lesions in sheep. The topographic distribution of the neuronal lesions in sheep and bovines was similar. However, the neuronal swelling and regressive alterations were less intensive. Three sheep presented mild muscle lesions.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/16233
Arquivos Descrição Formato
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