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Escravidão, fronteira e liberdade : políticas de domínio, trabalho e luta em um contexto produtivo agropecuário (Vila da Cruz Alta, Província do Rio Grande de São Pedro, 1834-1884)

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Escravidão, fronteira e liberdade : políticas de domínio, trabalho e luta em um contexto produtivo agropecuário (Vila da Cruz Alta, Província do Rio Grande de São Pedro, 1834-1884)

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Título Escravidão, fronteira e liberdade : políticas de domínio, trabalho e luta em um contexto produtivo agropecuário (Vila da Cruz Alta, Província do Rio Grande de São Pedro, 1834-1884)
Autor Araújo, Thiago Leitão de
Orientador Xavier, Regina Célia Lima
Data 2008
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em História.
Assunto Abolicionismo
Economia agropecuária
Escravidão
História do Rio Grande do Sul
Império, 1822-1889
Liberdade
Produção agropecuária
Rio Grande do Sul
Tráfico de escravos
[en] Farming and cattle-raising
[en] Freedom
[en] Province of Rio Grande de São Pedro
[en] Slavery
Resumo O problema central desta pesquisa é analisar os mecanismos de dominação senhorial que permitiam a manutenção e reprodução das relações escravistas em um contexto fronteiriço de produção agropecuária. Ao abordar esta questão tornou-se possível compreender simultaneamente as estratégias acionadas por escravos e libertos na luta contra a imposição deste mesmo domínio. A delimitação espacial focaliza o estudo na vila da Cruz Alta, situada no planalto da província do Rio Grande de São Pedro, entre os anos de 1834 e 1884. A primeira baliza temporal refere-se à criação da vila, e, a segunda, ao ano em que foram concedidas alforrias em massa aos escravos da província com prazo estipulado para a prestação de serviços. O período delimitado neste estudo, portanto, avança em marcos cronológicos que levaram a mudanças significativas nas relações de escravidão, como por exemplo, antes e depois de 1850 quando o comércio ilegal de escravos foi definitivamente proibido, ou antes e depois da lei 2.040 de 28 de setembro de 1871, conhecida como lei do ventre livre, que cessava definitivamente a reprodução da escravidão no Brasil. Desta forma, foi possível analisar como uma sociedade agrária que produzia para o mercado interno respondeu as transformações políticas que ocorriam no Império do Brasil. A pesquisa realizada abrangeu vastas séries documentais como os inventários postmortem, cartas de alforria, testamentos, processos criminais, registros de compra e venda de escravos, as correspondências da Câmara Municipal da vila e os relatórios de Presidentes da Província. O primeiro capítulo busca reconstituir os aspectos demográficos e econômicos abordando a organização das unidades produtivas, o universo dos trabalhadores, a estrutura de posse de escravos e a demografia da população escrava entre 1834 e 1879. No segundo capítulo é analisada a constituição política e administrativa da vila e os embates entre senhores e escravos no cotidiano escravista. O argumento central é que o entrelaçamento de diferentes elementos de controle social era o que permitia uma relativa estabilidade da escravidão na região, mesmo que a mobilidade espacial fosse intensa e muitos escravos tivessem a sua disposição cavalos e a proximidade da fronteira para buscarem a liberdade por meio da fuga. No terceiro e quarto capítulos é analisado o processo de manumissão como um importante elemento de uma política de domínio, mas enfocando ao mesmo tempo a luta dos escravos para conquistarem a liberdade utilizando as próprias armas senhoriais. Procura-se, portanto, enfatizar a ação humana na modificação dos limites impostos pelos condicionamentos estruturais. A perspectiva deste trabalho compreende esta luta como potencialmente transformadora das relações de escravidão, constituindo-se em um importante fator que acelerou e minou as bases do domínio senhorial. Desta forma, busca-se redimensionar o processo de abolição da escravidão questionando a imagem de uma transição do trabalho escravo para um mercado de trabalho livre com livres escolhas e acesso ao trabalho. Ao contrário, é enfatizado como os limites entre o cativeiro e a liberdade era uma questão minada de conflitos.
Abstract This research aims at analyzing the mechanisms of the domination by masters and the maintenance and reproduction of slavish relations in a context of political frontiers and cattleraising. The discussion of this question made it possible to comprehend slaves and ex-slaves strategies when fighting against this domination. This study focus on the Village of Cruz Alta situated in the plateau of Province of Rio Grande de São Pedro, between the years of 1834 and 1884. The first temporal boarders comprehend the creation of the Village; the second, the year when freedom was given massively to the slaves of the Province, with a set time for them to continue serving. The period of investigation stipulated on this research, thus, moves forward to chronological marks that lead to changes in slave relations. As an example, before and after 1850, when the illegal slave trade, or before and after law 2040, from September 28, 1871, know as "lei do ventre livre" (free-womb law), which completely ceased the reproduction of slavery in Brazil. It was possible, therefore, to analyze how an agrarian could society, producing only for the internal market, has responded to the political transformations that were taking place in Brazilian Imperial Period. The present work has reviewed several documents such as post-mortem inventories, declarations of slaves' freedom, testaments, crime processes, registers of buying and selling slaves, correspondences of the Town's Chamber and the documents of the President of the Province. On the first chapter, the demographical and economical aspects are reconstituted in terms of the organization of the productive units, the workers universe, the structure of slaves' position, and demography of the slave population between the years 1834 and 1879. The second analyses the political and administrative constitution of the Village and the conflicts between slaves and masters in a slavery context. The central argument is that the mixture of several mechanisms of social control has permitted a relative stability of slavery on the region, even if the spatial mobility was intense and several slaves had horses and the frontiers close to them to plan a escape. The process of manumission as a central element of a politics of domination focused on the fight of the slaves by means of the masters own weapons is analyzed on the third and fourth chapters. The emphasis relays on the human action over the limits of imposed structural conditions. It is revisited, therefore, the process of slave abolition through the questioning of the transition from slavery to the context of free market, access to work and freedom of choice. On the contrary, it is emphasized the limits between the captivity and freedom, a subject filled with conflicts.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/17528
Arquivos Descrição Formato
000716785.pdf (2.315Mb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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