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A semântica dos verbos dativos em inglês e em português : propriedades e questões

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A semântica dos verbos dativos em inglês e em português : propriedades e questões

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Título A semântica dos verbos dativos em inglês e em português : propriedades e questões
Autor Soares, Eduardo Correa
Orientador Menuzzi, Sérgio de Moura
Data 2010
Nível Graduação
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras. Curso de Letras: Licenciatura.
Assunto Alternância dativa
Semântica lexical
Verbo
[en] Argument realization
[en] Dative alternation
[en] Dativization in Portuguese
[en] Lexical semantics of verbs
Resumo Em português, assim com em outra linguas românicas, certos complementos verbais – especialmente quando governados pelas preposições para ou a (ambas usualmente traduzidas por to ou for) – podem ser convertidas no que alguns gramáticos tradicionais chamam de ''pronomes dativos'', como em A Maria lhe deu um livro. Chamaremos essa contrução de dativização em português. Nosso objetivo neste trabalho é estudar as propriedades semânticas dos verbos que entram nessa construção. No primeiro capítulo, começaremos por uma revisão das observações apresentadas nas gramáticas tradicionais. Mostraremos que elas oferecem uma caracterização muito superficial e insuficiente do processo. Depois de uma breve demonstração de que a dativização em português compartilha algumas propriedades de uma bem conhecida construção do inglês, especificamente, a construção de duplo objeto (cf. Green 1974, Oerhle 1976, entre outros), voltamo-nos para a vasta literatura sobre ela. Comparamos as construções do português e do inglês, chegando a dois resultados preliminares: (a) ambos os processos comprtilham uma propriedade fundamental, especificamente, os verbos afetdos envolvem alguma relação de posse entre os dois ''argumentos internos''; (b) as duas lingua diferem, no entanto, com respeito às restrições temporais sobre as construções – Inglês é sensível à informação temporal (codificada dentro do que a literatura chama de restrição do ''posuidor prospectivo''), enquanto o português não é. No segundo capítulo, nos submetemos estes resultados preliminares a uma revisão crítica, e descobrimos que ambos são problemáticos. Um desses problemas emerge da hipótese proposta por Koenig & Davis (2001); de acordo com esta hipótese, processos que afetam a realização sintática de argumentos de verbos são insensíveis à informação modal de natureza sublexical, o que inclui informação temporal concernete aos eventos que compõem os significados dos verbos. Como mostraremos, essa hipótese é incompatível com a ideia de que as construções de duplo objeto do inglês estão sujeitas aos possuidores prospectivos. Ao mesmo tempo, a hipótese é completamente compatível com a dativização em português, que não é sensível a informação temporal. Além do mais, como nos mostraremos, Koenig & Davis (2001) apresentam um largo espectro de argumentos que dão suporte à ideia de que a informação modal é realmente transparente à realização argumental, incluindo fatos relacionados aos verbos dativos. Assim, nossa conclusão final, a respeito desse assunto, é que a hipótese de que a realização dos argumentos é insensível a informação modal sublexical é correta, e que deve haver alguma explicação independente para a explicação do comportamento excepcional da construção de duplo objeto em inglês. O segundo problema que discutimos a respeito dos resultados do primeiro capítulo se refere à ideia de que os verbos dativos involvem alguma relação de posse entre os dois argumentos internos. Seguindo questões primeiramente levantadas por Oerhle (1976), sustentamos que não é claro se há realmente alguma noção de posse que cubra todas os casos relevantes. Além disso, mostramos que há casos que falham no único teste operacional existente na literatura para a identificação da noção relevante. Além disso, mostramos que há casos que falham no único teste operacional existente na literatura para a identificação da noção relevante. Então, nossa conclusão sobre a abordagem baseada em posse para a semântica dos verbos dativos é que não podemos tomá-la como bem motivada; é possível que estejamos lidando com outro tipo de relação: seguimento da pesquisa clarificará melhor essa questão.
Abstract In Portuguese, like in other Romance languages, certain verbal complements – specially when governed by the prepositions para or a (both translated either by to or for) – can be converted into what some traditional grammarians call a “dative pronoun”, as in A Maria lhe deu um livro (“Maria gave him a book”). We will call this construction Portuguese dativization. Our aim in this work is to study the semantic properties of verbs that may fall under this construction. In the first chapter, we begin by a review the observations found in traditional grammars. We will show that they offer a very superficial and insufficient characterization of the process. After a brief demonstration that the Portuguese Dativization shares some of the properties of a well-known construction in English, namely, the double object construction (cf. Green 1974, Oerhle 1976, and others), we turn to the extensive literature on this construction. We compare the English and the Portuguese constructions, reaching two preliminary conclusions: (a) both processes share a fundamental property, namely, both affect verbs that involve some “relation of possession” between two internal arguments; (b) the two languages differ, however, with respect to temporal constraints on the constructions – English is sensitive to temporal information (codified into what the literature calls the “prospective possessor constraint”), Portuguese is not. In the second chapter, we submit these preliminary conclusions to a critical review, and find that both are problematic. One of the problems is raised by a hypothesis put forward by Koenig & Davis (2001); according to this hypothesis, processes that affect the syntactic realization of verbal arguments are insensitive to “modal sublexical information”, which includes temporal information concerning the events that compose the meaning of verbs. As we will show, this hypothesis is incompatible with the idea that the double object construction of English is subject to a requirement for prospective possessors. At the same time, the hypothesis is fully compatible with the Portuguese Dativization, which is not sensitive to temporal information. Moreover, as we will see, Koenig & Davis (2001) present a wide range of arguments supporting the idea that modal information is really transparent to argument realization, including facts related to dative verbs. So, our final conclusion, in this respect, is that the hypothesis that argument realization is insensitive to modal sublexical information is correct, and that there must be some independent explanation for the exceptional behavior of the double object construction in English. The second problem we discuss for our conclusions of the first chapter concerns the idea that dative verbs involve some “relation of possession” between two internal arguments. Following doubts first raised by Oerhle (1976), we argue that it is unclear whether there is really some notion of “possession” that covers all the relevant cases. Moreover, we show that there are cases that fail the only operational test existent in the literature for the identification of the relevant relation. So, our final conclusion about the “possession”-based approach to the semantics of dative verbs is that, at present, it cannot be taken as well-founded; it is possible that we are dealing with some other type of relation, and further investigation is needed to clarify this issue.
Tipo Trabalho de conclusão de graduação
URI http://hdl.handle.net/10183/29198
Arquivos Descrição Formato
000776250.pdf (490.3Kb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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