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Minha história de letramento : braille, novas tecnologias e o acesso dos cegos à escrita e ao conhecimento

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Minha história de letramento : braille, novas tecnologias e o acesso dos cegos à escrita e ao conhecimento

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Título Minha história de letramento : braille, novas tecnologias e o acesso dos cegos à escrita e ao conhecimento
Autor Rodrigues, Karine de Souza
Orientador Garcez, Pedro de Moraes
Data 2011
Nível Graduação
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Letras. Curso de Letras: Licenciatura.
Assunto Escrita braille
Letramento
Resumo Este trabalho tem como objetivo pensar o que a grafia em Braille e as novas tecnologias de informação podem oferecer como oportunidades de acesso dos cegos à escrita e de participação ampla desses cidadãos nas práticas sociais. Para contribuir com a discussão sobre essas tecnologias na formação do cidadão cego leitor e também para a reflexão sobre leitura e escrita num sentido mais amplo, como condição de letramento, de construção do conhecimento e de exercício da cidadania, ofereço um relato reflexivo sobre as minhas experiências, como estudante e cidadã cega, durante minha trajetória escolar e universitária, no que diz respeito aos acessos à leitura e à escrita e ao significado desses acessos nas minhas práticas de letramento, “definido como um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos” (KLEIMAN, 1995). Durante minha formação como leitora, precisei recorrer a outras formas de acessar os textos além da leitura em Braille, principal tecnologia de escrita utilizada pelos cegos até recentemente, cujos mecanismos e políticas de produção específicos impõem limites à circulação dos bens da cultura escrita. Com o surgimento e disseminação dos programas leitores de telas, tecnologias da informação que executam a leitura em voz alta automatizada dos textos que aparecem na tela do computador, novas possibilidades de acesso puderam ser experimentadas e novas portas se abriram para a participação dos cegos nas práticas sociais e na construção do conhecimento. Nesse contexto, contudo, novos questionamentos surgem sobre alfabetização, leitura e letramento dos cegos: É mais importante ter acesso à escrita como tecnologia ou ao conhecimento que ela veicula? A alfabetização em Braille torna-se dispensável? Com base na reflexão suscitada pelos relatos da minha experiência, concluo que não se trata de uma escolha entre Braille e as novas tecnologias. Penso que o uso de ambos os recursos são indispensáveis para uma boa formação acadêmica, pois parece que somente um cego leitor alfabetizado (em Braille) poderá se beneficiar dos recursos das novas tecnologias para uma leitura autônoma e plena. Assim, os educadores precisam conhecer essas ferramentas para utilizá-las de modo que o aluno sempre possa participar ativamente das práticas de escrita, lembrando que ter contato com os discursos que se organizam a partir da escrita significa muito mais do que o domínio de uma tecnologia, significa ter acesso ao conhecimento e esse acesso deve ser garantido pela escola.
Resumen El presente trabajo tuvo como objetivo reflexionar sobre lo que la grafía Braille y las nuevas tecnologías digitales ofrecen como oportunidades de acceso de los ciegos a la escritura y de la amplia participación de estos ciudadanos en las prácticas sociales. Deseando contribuir con la discusión sobre esas tecnologías en la formación del ciudadano ciego lector y también reflexionar sobre la lectura y la escritura en un sentido más abrangente, como condición de literacidad, de construcción de conocimiento y del ejercicio de la ciudadanía, ofrezco un relato reflexivo sobre mis experiencias como estudiante y ciudadana ciega durante mi trayectoria escolar y universitaria, respecto a los accesos a la lectura y a la escritura y al significado de estos accesos en mis prácticas de literacidad - acá definida como un conjunto de prácticas sociales que utilizan la escritura como sistema simbólico y tecnología, en contextos específicos, para objetivos específicos (KLEIMAN, 1995). Durante mi formación como lectora, necesité recurrir a otros medios de acceso a la escritura, además de la grafía Braille, principal tecnología utilizada por los ciegos para la escritura todavía, cuyos mecanismos y políticas de producción específicos imponen límites a la circulación del patrimonio cultural escrito. A partir del surgimiento y la difusión de los programas lectores digitales, tecnologías de información que realizan la lectura en voz alta automática de textos que aparecen en la pantalla electrónica, nuevas posibilidades de acceso surgieron y puertas abriéranse para la participación de los ciegos en las prácticas sociales y en la construcción del conocimiento. En ese contexto, sin embargo, nuevos cuestionamientos nacen sobre la alfabetización, la lectura y la literacidad de los ciegos: ¿Es más importante el acceso a la escritura como tecnología o al conocimiento que ella carga? ¿La alfabetización en la grafía Braille es dispensable? Con base en la reflexión sobre los relatos de mis experiencias, concluyo que no se trata de una elección entre la grafía Braille y las nuevas tecnologías. Creo que las dos son indispensables para una buena formación académica, pues a mí me parece que solamente un ciego lector alfabetizado (en la grafía Braille) podrá beneficiarse de los recursos de las nuevas tecnologías para una lectura autónoma e inteligible. Así, los educadores necesitan conocer las nuevas herramientas para utilizarlas a favor de los alumnos, para que éstos puedan participar activamente de las prácticas escritas, acordándose siempre que interagir con los discursos escritos significa más que el dominio de una tecnología, significa acercarse al conocimiento y este acceso es responsabilidad de la escuela.
Tipo Trabalho de conclusão de graduação
URI http://hdl.handle.net/10183/39342
Arquivos Descrição Formato
000824245.pdf (260.3Kb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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