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Ecologia e história natural do zorrilho (Conepatus chinga) no sul do Brasil

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Ecologia e história natural do zorrilho (Conepatus chinga) no sul do Brasil

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Título Ecologia e história natural do zorrilho (Conepatus chinga) no sul do Brasil
Autor Kasper, Carlos Benhur
Orientador Freitas, Thales Renato Ochotorena de
Data 2011
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Biociências. Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal.
Assunto Conepatus chinga
Resumo Entre agosto de 2007 e dezembro de 2010 foram realizados estudos sobre a ecologia do zorrilho, Conepatus chinga (Molina, 1782) (Carnivora: Mephitidae) no sul do Brasil. Estes estudos tiveram como focos principais a investigação de aspectos da ecologia espacial, abundância e dos hábitos alimentares da espécie. Toda a coleta de dados foi realizada nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, extremo sul do Brasil. Estudos sobre a área de vida, padrões de deslocamento e uso de abrigo foram realizados com o uso de radio-telemetria. Como resultado, estimou-se a necessidade de áreas de vida de 1,65 km² + 1,17 km² para a espécie, sendo que machos apresentaram áreas de vida 2,5 vezes maiores do que à das fêmeas, além de padrões de deslocamentos significativamente maiores. Identificaram-se seis conformações básicas de abrigos, dos quais buracos no solo foram as mais comumente utilizadas (56% dos locais identificados). O padrão de reutilização dos abrigos foi alto (32%), especialmente entre fêmeas, que apresentaram um padrão significativamente maior do que os machos. Verificou-se a existência de grande sobreposição nas áreas de vida, inclusive nas áreas de uso intenso, embora mantenham grande distância uns dos outros e raramente compartilhem seus abrigos. Os zorrilhos apresentaram neste estudo, hábitos quase exclusivamente noturnos, uma característica comum à família. A abundância de zorrilhos foi analisada em quatro áreas com características distintas, sendo duas na região do Pampa e duas nos Campos de Cima da Serra. Para este estudo, foram realizadas transecções, com aplicação do método “distance sampling”, o que permitiu não apenas o registro de zorrilhos, que sempre foi à espécie-focal, mas também de outros mamíferos de médio e grande porte. Obteve-se o registro de 20 espécies em um total de 620 visualizações, das quais o zorrilho foi à segunda mais registrada, com densidades estimadas em 1,4 to 3,8 indivíduos por km². Esta é a primeira estimativa de densidade baseada em “transect lines” para o gênero na região Neotropical, e apresenta valores duas vezes maiores do que os conhecidos previamente por outros métodos. Obteve-se adicionalmente estimativas preliminares da densidade de Cerdocyon thous e Lycalopex gymnocercus (Carnivora: Canidae), variando entre 0,2 e 1,1 indivíduos por km², e uma estimativa robusta da densidade da lebre-européia (Lepus europaeus), com valores de 31,9 indivíduos por km², o que representa a maior estimativa da espécie já obtida na região Neotropical. A dieta da espécie foi avaliada a partir da análise de estômagos de animais atropelados em estradas. Além de zorrilhos, coletaram-se estômagos de todos os outros carnívoros encontrados mortos, o que permitiu uma análise comparativa dos hábitos alimentares de um total de dez espécies. A amplitude de nicho apresentada por estes carnívoros foi comparada à “abundância geral” dos mesmos, baseada na sumarização de observações de campo de 22 localidades. A dieta da maioria das espécies apresentou-se baseada em roedores, à exceção das dietas de Procyon cancrivorus (Procyonidae) e C. chinga. Por este motivo a sobreposição de nicho alimentar foi muito grande, novamente à exceção das duas espécies citadas. Enquanto P. cancrivorus pode ser considerado um verdadeiro omnívoro, C. chinga apresenta uma dieta à base de insetos adultos e, sobretudo, larvas de inseto, embora inclua oportunisticamente outros recursos alimentares. Juntamente com C. thous, estas três espécies apresentam as maiores amplitudes de nicho e são as espécies mais comumente encontradas na maioria das assembléias de carnívoros. Pelo contrário, pequenos felinos e G. cuja, que apresentam amplitudes de nicho reduzidas e são pouco abundantes em praticamente todas as localidades estudadas, o que está de acordo com o alto grau de correlação encontrado (r = 0,9565) entre abundância relativa e os hábitos alimentares.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/49290
Arquivos Descrição Formato
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