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O processo de composição narrativa no encontro terapêutico : (des)construindo autorias

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O processo de composição narrativa no encontro terapêutico : (des)construindo autorias

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Título O processo de composição narrativa no encontro terapêutico : (des)construindo autorias
Autor De Conti, Luciane
Orientador Sperb, Tania Mara
Data 2004
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Psicologia. Curso de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento.
Assunto Narrativas
Psicologia : Ensino : Estagios
Psicoterapia
Resumo Essa pesquisa procurou investigar o processo de composição narrativa pela dupla estagiário-terapeuta/paciente, em uma situação de psicoterapia psicanalítica, a partir do contexto de uma prática supervisionada de estágio em Psicologia Clínica. Participaram da pesquisa duas acadêmicas de Psicologia que realizaram o estágio em um abrigo municipal. O trabalho clínico desenvolvido pelas estagiárias foi acompanhado pela supervisão acadêmica, cuja responsável na época era a pesquisadora. Também participaram dessa pesquisa três meninas de seis, nove e dez anos de idade, acolhidas temporariamente na instituição e em acompanhamento psicoterapêutico pelas estagiárias. Os atendimentos foram realizados uma vez por semana, individualmente, na própria instituição. As estagiárias relataram cada entrevista preliminar realizada com as crianças sob a forma escrita de entrevista dialogada, cujo objetivo é a memorização do desenvolvimento da entrevista. Essa memorização associada às reflexões acerca do estágio produzidas no espaço de supervisão acadêmica formaram as fontes dos dados. Para atingir o objetivo dessa pesquisa, três estudos foram realizados e, em cada um deles, três casos, constituídos por diferentes duplas terapêuticas, foram analisados. Os resultados dos três estudos demonstram, inicialmente, que o discurso elaborado pelas duplas terapêuticas, em cada entrevista preliminar isoladamente, estrutura-se narrativamente porque esse discurso apresenta os dois princípios da narrativa, que são a sucessão e a transformação, como propõe Tzvetan Todorov. A análise conjunta dessas entrevistas denota, entretanto, que as narrativas constituídas nesse processo não podem ser reduzidas a uma lógica de sucessão linear como formula esse autor. A seqüência narrativa é regida pela lógica de causalidade semântica, que é de natureza polifônica, como propõe Paul Ricoeur. As intervenções das estagiárias sob a forma de construções, conforme conceito estabelecido por Freud, mesmo que guiadas pelo princípio da associação livre, são demarcadas, em sua maioria, pela repetição de uma versão já conhecida da história da vida de seu paciente, geralmente àquela que versa sobre o motivo do abrigamento. Assim, essas intervenções, cujo efeito possível seria que o paciente pudesse desconstruir os sentidos dados a priori, reconstruindo novas versões para os acontecimentos de sua vida e, com isso, ocupasse o lugar de autor de sua história, acabam insistindo no trauma. Dessa forma, fica explicitado um dos paradoxos do processo de formação da escuta clínica: o estagiário, ao procurar abrir os sentidos para o seu paciente, construindo junto com ele uma versão possível para a sua história, acaba, muitas vezes, fechando o sentido, construindo uma única versão para os eventos narrados pelo paciente.
Abstract This study investigates the process of narrative composition accomplished by a therapist trainee/patient dyad in the course of a psychoanalytic psychotherapy situation, which is developed in the context of a supervised clinical psychology practice. Two psychology students who were carrying out their practice in a public shelter participated in the study. The clinical work of the two trainees was developed under the academic supervision of the present researcher. Also participated in this investigation three girls of six, nine and ten years of age, sheltered temporarily in the institution, who were seen in psychotherapy by the two trainees. The sessions occurred once a week, individually, in the institution itself. The trainees reported children’s interviews in a dialogue written form aimed at memorizing the development of the interview. The data sources were the memorization records and the trainees reflections about their practices, produced in the supervision context. In order the research objective three studies were carried out. In each of them three cases involving different therapeutic dyads were analyzed. The results of the three studies show that the discourse elaborated by the therapeutic dyads, in each of the interviews, is structured in a narrative form since it displays the two narrative principles which are, according to Tzvetan Todorov, succession and transformation. The joint analysis of these interviews show, however, that the narratives constituted in this process cannot be reduced to a logic of linear succession as formulated by the author. The narrative sequence is governed by semantic causal logic, which is of a polyphonic nature, as proposed by Paul Ricoeur. The trainees interventions structured as constructions, as conceptualized by Freud, even when guided by the free-association principle were delimited in most cases by the repetition of an already known version of the patient life history, in general the one related to the reason for sheltering. Thus, these interventions, which could give the patient the possibility of deconstructing senses given a priori, and as a result, reconstruct new versions for his life events and become the author of his own history, end up by insisting in the trauma. In this matter, one of the paradoxes of the process of clinical training emerges: the trainee in the process of opening new senses to his patient, constructing together with him a possible version for his history, in many occasions ends up constructing a unique version of the events narrated by the patient.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/5045
Arquivos Descrição Formato
000464374.pdf (937.4Kb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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