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Mecanismos da homofilia : a invisibilização dos desiguais no associativismo urbano

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Mecanismos da homofilia : a invisibilização dos desiguais no associativismo urbano

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Título Mecanismos da homofilia : a invisibilização dos desiguais no associativismo urbano
Autor Zanata Júnior, Rui
Orientador Silva, Marcelo Kunrath
Data 2012
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Sociologia.
Assunto Associativismo comunitário
Desigualdade social
Homofilia
Invisibilidade social
[en] Homophily
[en] Invisibility
[en] Social distance
[en] Urban associations
Resumo Esta dissertação visa dar prosseguimento às investigações realizadas com duas associações de moradores de Porto Alegre – uma localizada numa vila popular e outra situada num bairro de classe média. Essas pesquisas evidenciaram que as distâncias estruturais e relacionais entre agentes que ocupam posições distintas em contextos de desigualdades extremas se reproduzem também na conformação das redes associativas. Frente a esses resultados, coloca-se a finalidade central desta pesquisa: identificar e analisar processos sociais que permitem explicar a associação causal entre distância social estrutural e distância social relacional – ou seja, a homofilia – observada no associativismo urbano de Porto Alegre. Devido à impossibilidade de abordar adequadamente os diversos mecanismos que concorrem para a (re)produção da homofilia, optou-se por focalizar um mecanismo que, hipoteticamente, parece desempenhar um papel central em um contexto de profunda desigualdade como o brasileiro: o mecanismo de invisibilização. Argumenta-se que a invisibilização de indivíduos e grupos em posições inferiorizadas por parte daqueles ocupantes de posições superiores na hierarquia social constitui um mecanismo importante na constituição das fronteiras sociais e simbólicas em espaços sociais marcados por desigualdades extremas. A hipótese aventada é de que a invisibilização tende a bloquear os contatos entre indivíduos desigualmente situados no espaço social ao estabelecer fronteiras sociais e simbólicas entre eles, contribuindo, assim, na reprodução das distâncias estruturais e relacionais no associativismo. Para fins de análise, tomam-se como objetos de investigação indivíduos engajados em duas associações de moradores de classe média de Porto Alegre. São investigadas as relações e os deslocamentos desses indivíduos como um recurso metodológico para analisar os padrões homofílicos observados na atuação das organizações às quais eles pertencem. A opção por indivíduos como unidade de análise se fundamenta no argumento de que as relações entre agentes sociais são conformadas pelos grupos aos quais eles pertencem conjuntamente, enquanto que os laços entre grupos são formados pelos integrantes que eles compartilham. Para compreender como opera a invisibilização nas redes de relações, empregou-se a metodologia de análise de redes sociais. As técnicas de produção de informações reticulares conhecidas como gerador de nomes e name interpreters possibilitaram construir a trama de relações dos egos entrevistados e explorar os atributos socioeconômicos dos seus alters, respectivamente. Para dar conta da invisibilização nos deslocamentos e destinos dos agentes pesquisados foram realizadas entrevistas semiestruturadas. Foi solicitado a eles que desenhassem em um mapa até três percursos dentro do bairro e três trajetos dentro da cidade, bem como fazer comentários sobre tais deslocamentos. A análise das redes relacionais e dos deslocamentos dos oito casos investigados permite sustentar empiricamente a presença e a operação do mecanismo de invisibilização. De um lado, ela se expressa na tendência de que indivíduos em posições subalternizadas estejam ausentes dos espaços e das relações que estruturam o cotidiano dos indivíduos pesquisados. Tal ausência diminui (e, no limite, impede) a possibilidade de que relações significativas e duradouras se estabeleçam entre os desiguais. Por outro, mesmo quando aquela tendência é rompida e os entrevistados interagem com indivíduos e organizações em posições inferiorizadas, observa-se que tal interação tende a não produzir vínculos relevantes.
Abstract This dissertation aims to continue the investigations carried out with two residents’ associations in Porto Alegre – one located in a poor neighborhood and the other in a middle class neighborhood. These surveys have shown that the structural and relational distances among agents who occupy distinct positions in contexts of extreme inequality are reproduced in the conformity of the associative networks as well. Based on these results, the main purpose of this research is presented: to identify and analyze the social processes that help explain the causal association between structural social distance and relational social distance – in other words, homophily – observed in the urban associations in Porto Alegre. Given the impossibility of adequately covering the numerous mechanisms that compete to the (re)production of homophily, we chose to address a mechanism that, hypothetically, seems to play a central role in a context of profound inequality, as it is the case in Brazil: the invisibility mechanism. It is argued that the invisibilization of individuals and groups in inferior positions by the ones that occupy superior positions in the social hierarchy constitutes an important mechanism in the formation of social and symbolic boundaries in social spaces characterized by extreme inequalities. The suggested hypothesis is that invisibilization tends to impede the contact between individuals unequally situated in the social space by establishing social and symbolic boundaries between them, contributing, thus, to the propagation of the structural and relational distances in associations. For the analysis, individuals engaged in two middle class residents’ associations in Porto Alegre are taken as objects of investigation. The relationships and displacements of these individuals are investigated as a methodological resource to analyze the homophylic patterns observed in the performance of the organizations they belong to. The choice for individuals as units of analysis is based on the argument that the relationships among social agents are shaped by the groups in which they participate together, whereas the relations between groups are formed by the participants they have in common. In order to understand how the invisibilization on the networks of relations operates, a method of social network analysis was used. The reticular information production techniques, known as name generators and name interpreters, facilitate the construction of a web of relations of the interviewed egos and the exploration of the socioeconomic attributes of their alters, respectively. To address the invisibilization on the dislocations and destinations of the participants, semi-structured interviews were made. They were asked to draw in a map up to three routes inside their neighborhood and three routes inside the city, as well as to comment about these dislocations. The analysis of the networks of relations and dislocations on the eight cases investigated allow empirical sustention of the presence and operation of the invisibility mechanism. On the one hand, it is expressed on the tendency that individuals in subordinated positions are absent in spaces and relations that structure the daily lives of the participants. This absence decreases (and, ultimately, prevents) the possibility of establishing significant and lasting relationships between the unequal. On the other hand, even when this tendency is broken and the participants interact with individuals and organizations in inferior positions, it is observed that this interaction tends not to produce relevant bonds.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/61722
Arquivos Descrição Formato
000864808.pdf (9.435Mb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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