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Relações com o mercado e (re) construção das identidades socioprofissionais na agricultura orgânica

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Relações com o mercado e (re) construção das identidades socioprofissionais na agricultura orgânica

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Título Relações com o mercado e (re) construção das identidades socioprofissionais na agricultura orgânica
Autor Schultz, Glauco
Orientador Gehlen, Ivaldo
Co-orientador Silva, Tania Nunes da
Data 2006
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios. Programa de Pós-Graduação em Agronegócios.
Assunto Agricultura orgânica
Agroecologia
Agronegócios
Identidade sócio-profissional
Mercado
[en] Agriculturist organizations
[en] Agroecology
[en] Market relations
[en] Organic agriculture
[en] Socio-professional identity
Resumo A presente tese propõe uma discussão sobre a agricultura orgânica e suas relações com o mercado. As relações com o mercado, que são estabelecidas pelas organizações de agricultores, atualmente ocupam uma posição central nas discussões do denominado “movimento orgânico” no Brasil, constituindo-se em objeto de análise da própria definição de agricultura orgânica. As principais modificações, na conversão do sistema convencional para o orgânico, se apresentam nas relações técnico-produtivas, e, conseqüentemente, no sentido que é atribuído às atividades práticas da agricultura orgânica, modificando a realidade destes produtores rurais. A realidade dos agricultores é aqui entendida como aquela que é (re)construída no contexto organizacional. A agricultura orgânica pressupõe a possibilidade de os agricultores buscarem, através da sua atividade profissional, a (re)construção de sua identidade socioprofissional. Entretanto, neste contexto, também se destaca a construção de novas relações sociais, que influenciam, entre outros aspectos, a profissionalização dos agricultores. A tese aqui apresentada busca o entendimento das principais influências das relações de mercado sobre o processo de (re)construção desta identidade. Para identificar tais influências, foram analisadas as percepções e significados atribuídos pelos agricultores às diferentes estratégias de comercialização adotadas, bem como estudar as representações que estes fazem sobre as suas atividades, e que são formadoras de sua identidade socioprofissional. A análise foi feita utilizando os discursos dos agricultores sobre a sua atividade profissional, sobre os canais de comercialização utilizados e sobre as relações institucionais estabelecidas. É de tal processo relacional que se depreende a definição de identidade socioprofissional adotada na presente tese. Partiu-se da hipótese de que as relações com mercado, nas organizações de produção orgânica, assumem um papel central na (re)construção da identidade socioprofissional dos agricultores. Para a realização da análise, foram selecionadas cinco organizações de agricultores envolvidas com a produção orgânica, nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, buscando contemplar, nessa seleção, dois tipos principais de relações com o mercado: as feiras e os supermercados. Para o levantamento das informações, fundamentalmente primárias, junto a estas organizações, foram realizadas entrevistas em profundidade, com o auxílio de roteiros semi-estruturados, com agricultores e outros informantes. Para o entendimento das identidades socioprofissionais, no contexto organizacional, foi feita uma análise dos aspectos cognitivos referentes ao processo de institucionalização e de construção da realidade, apoiando-se, para isto, na Teoria Institucional e em algumas noções sobre o processo de construção identitária. Também contribuíram, para a análise, os diferentes enfoques e abordagens em torno da discussão sobre as definições de agricultura orgânica. Os resultados da pesquisa permitiram demonstrar as influências das relações com o mercado sobre a formação da identidade socioprofissional dos agricultores que atuam na agricultura orgânica, confirmando a hipótese da pesquisa. Entretanto, o mercado influencia a profissionalização dos agricultores de forma diferenciada, a partir de referências que são construídas nas relações diretas com os consumidores (feiras) e na legitimidade no mercado (supermercados).
Abstract The present thesis proposes a discussion upon organic agriculture, and upon its relationships with market. The market relations, which are established by agriculturist organizations, presently plays a central role in the discussions upon the “organic movement” in Brazil, constituting the analysis object of the organic agriculture definition itself. The main modifications, involved in the conversion from the traditional agricultural system to the organic one, are present on technical-productive relations, and consequently, in the meaning that is attributed to practical activities on organic agriculture, modifying the reality of these agriculturists. The reality, for these agriculturists, is here comprehended as the one that is (re)constructed in the organizational context. Organic agriculture presuppose the possibility that the agriculturists fetch, by means of their professional activity, the (re)construction of their socio-professional identity. Notwithstanding, in this context, it is also important the construction of new social relationships, which influence, among other aspects, the process of professional qualification of agriculturists. The thesis, here presented, searches out for a better comprehension of the main influences of the market relations on this identity (re)construction process. Aiming to identify these influences, were analyzed the percepts and significations attributed by these agriculturists to the different trading strategies adopted, as well as were studied the mental representations that they do about their activities, which are the formers for their socio-professional identity. The effected analysis used the speeches of these agriculturists concerning their professional activity and concerning the institutional relationships established. It is from such process that is inferred the socio-professional identity definition adopted in the present thesis. It was assumed, as an initial hypothesis, that the market relations, in the scope of organic production organizations, play a central role in the process of the agriculturist socio-professional identity (re)construction. In order to make this analysis, were selected five agriculturist organizations, which were involved with organic production, in the following southerner States of Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina and Paraná, aiming to detect, by means of this selection, two main kinds of market relations: free markets and supermarkets. For collecting the information, chiefly primary data, from these organizations, were done depth interviews, using semi-structured questionnaires, with agriculturists and significant others. And, in order to attain a better comprehension upon socio-professional identities, in the organizational context, it was done an analysis of the cognitive aspects referable to the institutionalization and to the reality construction processes, therefore, supporting this view on the Institutional Theory and on some notions on the identity construction process. Also contributed, for this analysis, the different views and approaches concerning the discussion made upon organic agriculture. The results of the present research allowed the author to demonstrate the influences of the market relations on the socioprofessional identity formation process for the agriculturists that act on organic agriculture, validating the initial research hypothesis. Nevertheless, the market influences the professional qualification of agriculturists in a varied manner, from the different references that are constructed in the direct relationships with consumers (on free markets) and in the market legitimacy (on supermarkets).
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/8585
Arquivos Descrição Formato
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