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Crack em gestantes : um estudo sobre características clínicas e sociodemográficas da dupla mãe-bebê e sobre o impacto do uso no estresse oxidativo de bebês

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Crack em gestantes : um estudo sobre características clínicas e sociodemográficas da dupla mãe-bebê e sobre o impacto do uso no estresse oxidativo de bebês

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Título Crack em gestantes : um estudo sobre características clínicas e sociodemográficas da dupla mãe-bebê e sobre o impacto do uso no estresse oxidativo de bebês
Autor Zavaschi, Maria Lucrécia Scherer
Orientador Rohde, Luis Augusto Paim
Co-orientador Szobot, Claudia Maciel
Data 2014
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria.
Assunto Cocaína crack
Estresse oxidativo
Fatores socioeconômicos
Gestantes
Relações materno-fetais
Transtornos relacionados ao uso de cocaína
Resumo A presente tese aborda o tema de gestantes usuárias de crack e seus bebês. Um dos objetivos foi, a partir de um estudo transversal com 56 díades mães-bebês usuárias de crack e 89 díades controles, avaliar as condições sociodemográficas e o uso de outras substâncias, o quociente de inteligência (QI) estimado, psicopatologia na mãe e variáveis dos bebês. Como resultado desta primeira etapa, observou-se que a maioria das usuárias, em comparação às não usuárias, não apresentava um parceiro (10,52% vs. 4,4%; P=0,001) e tinha menor QI estimado (78,15, +/-8,07 vs. 84,27, +/-9,87; P=0,002). A prevalência de personalidade antissocial e de risco de suicídio nas usuárias foi maior do que nas não usuárias (24,44% vs. zero; P<0,001; 28,26% vs. 10,46%; P=0,01, respectivamente). Ainda, 40,74% dos casos usavam álcool diária ou semanalmente, em comparação a 1,7% no grupo controle (P<0,001). A maioria das usuárias não fez pré-natal (75%). Em relação aos bebês, o peso ao nascer foi menor no grupo dos expostos. Dando continuidade à temática da tese, não se pode desconsiderar o fato de que os bebês estiveram expostos à cocaína intra-útero, sendo pertinente questionar quais os possíveis danos neurobiológicos. No caso, optou-se por estudar o estresse oxidativo. O objetivo do segundo estudo foi comparar os níveis de estresse oxidativo nos bebês expostos ao crack durante a gravidez (n=48) em relação a bebês não expostos (n=83), através de sangue de cordão umbilical (SCU). Neste estudo transversal, o estresse oxidativo foi medido por TBARS e Carbonil no sangue de cordão umbilical (SCU). Após o ajuste para potenciais confundidores (psicopatologia materna, intensidade do consumo de álcool pela mãe, peso do bebê), o nível de TBARS foi significativamente menor no grupo de bebês expostos (26,64, IC95%=20,35-34,88) em comparação aos não expostos (92,99, CI95%=90,48-107,44; P<0,001). Não houve diferença significativa nos níveis de carbonil entre os grupos: (0,02065, CI95%=0,001160-0,344170 nos expostos, vs. 0,0189, CI95%=0,0076-2,17091 em não expostos; P =0,33). Por fim, em artigo complementar, visando ilustrar o atendimento feito às pacientes ao longo desta tese em um Grupo Operativo de Psicoeducação para Gestantes e Puérperas Usuárias de substâncias psicoativas (SPA), relata-se o trabalho de cunho psicoterápico realizado com uma das mães dependentes do crack e seu bebê que frequenta o ambulatório de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do HCPA. Em suma, na presente tese, a autora pode concluir que as usuárias apresentaram alta taxa de psicopatologia e de uso de outras substâncias e demonstrar a coexistência de fatores adversos nas mães e nos bebês. A experiência do Grupo Operativo de Psicoeducação para Gestantes e Puérperas Usuárias de SPA permitiu com que os técnicos vislumbrassem uma possibilidade terapêutica com resultados positivos para essas duplas.
Abstract This thesis addresses the theme of pregnant crack using women and their babies. One of the objectives was to assess the socio-demographic conditions, use of other substances, estimated intelligence quotient (IQ), psychopathology of the mother and variables of the babies, based on a cross-sectional study of 56 crack using mother-child dyads and 89 control dyads. As a result of this first stage, it was observed that the majority of crack users compared to nonusers, did not have a partner (10.52% vs 4.4%, P = 0.001) and had a lower estimated IQ (78.15, +/-8.07 vs. 84.27 +/-9.87, P = 0.002). The prevalence of antisocial personality and suicide risk in the crack users was higher than in nonusers (24.44% vs. zero, P <0.001; 28.26% vs 10.46%, P = 0.01, respectively). Also, 40.74% of the cases used alcohol on a daily or weekly basis, compared to 1.7% in the control group (P <0.001). The majority of the users did not receive prenatal care (75%). In relation to the babies, birth weight was lower in the exposed group. In correlation with the theme of the thesis, the fact that babies underwent intrauterine exposure to cocaine, cannot be ignored; as it is pertinent to question what the possible neurobiological damage may have been. In relation to this aspect, we chose to study the oxidative stress. The objective of the second study was to compare the levels of oxidative stress in babies exposed to crack during pregnancy (n = 48) compared to unexposed babies (n = 83), by way of umbilical cord blood (UCB). In this cross-sectional study, oxidative stress was measured in terms of TBARS and Carbonyl in the umbilical cord blood (UCB). After adjustment for potential confounders (maternal psychopathology, severity of alcohol consumption by the mother, weight of the baby), the TBARS level was significantly lower in the group of crack exposed babies (26.64, 95% CI = 20.35 to 34.88) compared to the unexposed babies (92.99, 95% CI = 90.48 to 107.44, P <0.001). There was no significant difference in the carbonyl levels between the groups: (0.02065, 95% CI = 0.001160 to 0.344170 in the babies exposed to crack vs. 0.0189, 95% CI = 0.0076 to 2.17091 in the non-exposed babies P = 0.33). Finally, in the complementary article, with the objective being to illustrate the healthcare services rendered to the patients throughout this thesis in an Operating Group of Psycho-Education for Pregnant and Postpartum Women who use psychoactive substances (PASs), we report on the study of psychotherapeutic nature carried out with one of the crack dependent mothers and her baby who attends the outpatient clinic of Childhood and Adolescence Psychiatry of the HCPA. In short, in this thesis, the author was able to conclude that the users had a high rate of psychopathology along with use of other substances while also demonstrating the coexistence of adverse factors in the mothers and babies. The experience of the Operating Group of Psycho-Education for Pregnant and Postpartum Women who use PASs permitted the technicians to extrapolate a therapeutic possibility with positive results for these pairs.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/97178
Arquivos Descrição Formato
000920562.pdf (1.346Mb) Texto parcial Adobe PDF Visualizar/abrir

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