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Contaminação microbiológica e avaliação da segurança de alface na produção primária e varejo

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Contaminação microbiológica e avaliação da segurança de alface na produção primária e varejo

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Título Contaminação microbiológica e avaliação da segurança de alface na produção primária e varejo
Autor Bartz, Sabrina
Orientador Tondo, Eduardo Cesar
Co-orientador Bender, Renar João
Data 2015
Nível Doutorado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Ciências e Tecnologia de Alimentos. Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos.
Assunto Alface
Segurança alimentar
Resumo Nos últimos anos, o consumo de vegetais frescos tem aumentado significativamente, em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) associadas a esses alimentos tem crescido de forma considerável, podendo levar as vítimas a consequências severas, inclusive à morte. Dados internacionais demonstram diversos microrganismos envolvidos nestes surtos, porém a Salmonella e a Escherichia coli O157:H7 têm sido frequentemente envolvidas. Este trabalho Tese teve o objetivo de avaliar a contaminação microbiológica e a segurança de alfaces convencionais produzida na região Sul do Brasil, desde a produção primária até o varejo. Para tanto, primeiramente, 128 amostras de adubo orgânico, solo, água de irrigação e lavagem, mãos de manipuladores, equipamentos, mudas e pés de alface foram coletadas em 3 propriedades rurais, durante o período de cultivo das alfaces. As amostras foram analisadas para quantificação de indicadores (E. coli) e para a presença de patógenos (Salmonella e Escherichia coli O157:H7). Paralelamante, um questionário de auto-avaliação, com 69 questões, foi aplicado com o objetivo de obter informações sobre os sistemas de gestão implementados nas propriedades rurais. Em seguida, foi realizada a comparação dos resultados microbiológicos das amostras coletadas, informações climáticas e de informações de sistemas de gestão das 03 propriedades produtoras de alfaces convencionais avaliadas neste trabalho e 03 propriedades produtoras de alfaces orgânicas avaliadas em outro trabalho. Os dados microbiológicos, as informações de gestão e informações a respeito de fatores climáticos foram analisados, no intuito de identificar as principais fontes de contaminação das alfaces. Posteriormente, 100 amostras de alface convencionais foram coletadas em hipermercados de Porto Alegre e analisadas para contagens de coliformes, E. coli e para a presença de E. coli O157:H7 e Salmonella. Em seguida, alfaces foram artificialmente contaminadas com Salmonella Enteritidis SE86 e E. coli ATCC8739 e armazenadas em diferentes temperaturas e intervalos de tempo (5, 10, 25 e 37 °C por 0, 2, 6, 24 e 48 h). Os dados obtidos foram modelados matematicamente, a fim de avaliar situações de risco dentro dos hipermercados. Os resultados obtidos na produção primária demonstraram baixas contagens de E. coli e ausência de patógenos em todas as amostras coletadas, porém um alto risco microbiológico foi identificado, para todas propriedades, através do questionário de auto-avaliação. A diferença entre ambos resultados pôde ser explicada pela adoção de algumas medidas como utilização de adubo adequadamente compostado, utilização de água de irrigação e lavagem apropriadas, ausência de animais nas propriedades, entre outros, porém não havia nenhum sistema de segurança de alimentos formalmente implementado. Os resultados também demonstraram que as propriedades orgânicas apresentaram um maior risco microbiológico e presença de patógenos quando comparadas com as propriedades convencionais, fato explicado devido à ocorrência de um evento de inundação, pela utilização de adubo orgânico produzido na própria propriedade, sem adequada compostagem. As alfaces coletadas nos hipermercados demonstraram 4% de prevalência de E. coli e presença de Salmonella em uma amostra. Salmonella e E. coli não se multiplicaram na alface a 5 e 10 °C durante 48 horas, sugerindo serem estas temperaturas adequadas para o armazenamento. Por outro lado, os mesmos microrganismos se multiplicaram a 25 e 37 °C, atingindo níveis elevados que podem oferecer risco à saúde do consumidor, mesmo após uma higienização adequada. Como conclusão, a implementação de Boas Práticas Agrícolas, enfocando a compostagem adequada e qualidade microbiológica da água de irrigação e lavagem, é necessária para evitar a contaminação de alfaces na produção primária. Além disso, os resultados demonstraram a necessidade da manutenção dos vegetais folhosos frescos em cadeia refrigerada abaixo de 10 °C, desde a etapa de colheita até o consumo, a fim de evitar riscos de surtos alimentares relacionados a estes produtos.
Abstract The consumption of fresh produce is arising significantly, in the last years, worldwide. At the same time, foodborne outbreaks associated to these products are also increasing considerably, leading the victims to severe consequences, including death. International data demonstrated several microorganisms involved with these outbreaks, and Salmonella and Escherichia coli O157:H7 are frequently reported. This Thesis aimed to evaluate the microbial contamination and safety of conventional lettuces produced in Southern Brazil, from primary production to retail. In the first study, 128 samples of manure, soil, irrigation and washing water, worker's hands, equipment, seedlings and lettuces were taken from three conventional farms, during the growth period. Lettuces samples were analysed for indicators (E. coli) and for the presence of pathogens (Salmonella and Escherichia coli O157:H7). At the same time, a self-assessment questionaire, composed by 69 questions, was applied, willing tho get information about the management sistems implemented in the farms. In the second article, a comparison among the microbial results, climatic information and management systems of three conventional and three organic farms was carried out. Microbial data, information about management sistems and information about climatic conditions were analysed, with the aim to identify the major contamination sources of lettuces. In the third manuscript, 100 samples of conventional lettuces were taken from hypermarkets of Porto Alegre city, Southern Brazil, and analysed for coliforms and E. coli counts and for the presence of E. coli O157:H7 and Salmonella. After that, lettuces were artificially contaminated with Salmonella Enteritidis SE86 e E. coli ATCC8739 and stored at different temperatures and times (5, 10, 25, and 37°C for 0, 2, 6, 24, and 48 h). Data were modelled in order to evaluate risk situations inside hypermarkets. Results from primary production demonstrated low levels of E. coli and absence of pathogens in all analysed samples, but a high microbial risk was identified, for all farms, by the self-assessment questionaire. Differences between both results could be explained by the adoption of some adequate measures as the use of manure properly composted, use of water of good quality, absence of animals in the farms, but, at the same time, no formal management system was applied. Results also showed that organic farms demonstrated higher microbial risks based on questionnaire responses and presence of pathogens when compared with conventional ones, and these was explained mainly because a flooding event and the use of manure without adequate composting time was observed in the organic farms. Lettuces collected in the hypermarkets demonstrated 4% of E. coli prevalence and the presence of Salmonella in one sample. Salmonella and E. coli did not multiply on lettuce kept at 5 and 10 °C for 48 hours, suggesting that these could be adequate temperatures of storage. On the other hand, the same microorganisms multiply at 25 and 37 °C, reaching high levels that could represent risk to consumer's health, even after disinfection procedures. Concluding, the implementation of Good Agricultural Practices, focusing the adequate composting of manure and adequate microbial quality of irrigation and washing water is necessary in order to avoid contamination of lettuces in primary production. Besides that, results demonstrated the necessity of mantainence of fresh produce in cool chain below 10 °C, since harvest until consumption in order to avoid risks related to these products.
Tipo Tese
URI http://hdl.handle.net/10183/129764
Arquivos Descrição Formato
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