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Os assaltos do moinho satânico nos campos e os contramovimentos da agricultura familiar : atores sociais, instituições e desenvolvimento rural no Sudoeste do Paraná

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Os assaltos do moinho satânico nos campos e os contramovimentos da agricultura familiar : atores sociais, instituições e desenvolvimento rural no Sudoeste do Paraná

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Título Os assaltos do moinho satânico nos campos e os contramovimentos da agricultura familiar : atores sociais, instituições e desenvolvimento rural no Sudoeste do Paraná
Autor Escher, Fabiano
Orientador Schneider, Sergio
Data 2011
Nível Mestrado
Instituição Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Ciências Econômicas. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural.
Assunto Agricultura familiar
Cooperativismo
Desenvolvimento rural
Instituições
Paraná, Sudoeste
Pluriatividade rural
[en] Commoditization
[en] Cooperativism of diary production
[en] Family agriculture
[en] Institutions
[en] Rural development
[en] Southwest of Paraná state
Resumo A motivação para a realização dessa pesquisa partiu da ideia de que os estudos sobre desenvolvimento rural precisam elaborar definições mais claras em relação ao seu escopo, definindo uma temática própria e não apenas importando os temas postos a partir das políticas públicas e da ação do Estado. Por isso, o tema das interfaces entre o papel dos atores sociais e o papel das instituições nos processos de mudança social que incidem sobre as dinâmicas de desenvolvimento rural se reveste de grande interesse. O objetivo dessa pesquisa consistiu em analisar a diversidade dos estilos de agricultura familiar e as formas com que os agricultores foram respondendo às circunstâncias redundantes do crescente processo de mercantilização da agricultura e do espaço rural, tanto em termos de práticas técnico-produtivas como em termos organizativo-institucionais. Para isso, realizamos um estudo de caso no Sudoeste do Paraná, um território onde a importância histórica da categoria agricultura familiar é amplamente reconhecida. A diversidade da agricultura familiar e do meio rural pode ser explicada, por um lado, pela sua crescente mercantilização, por conta da inserção dos agricultores na dinâmica da economia capitalista, enquanto produtores de mercadorias, trabalhadores e demandantes de insumos e tecnologias externas e, por outro, pelas estratégias de reprodução que os mesmos foram estabelecendo como reação a este processo ou mesmo para adaptarem-se a ele. A primeira hipótese levantada assevera que, apesar dos efeitos e consequências da mercantilização, a identidade territorial da agricultura familiar, constituída através de episódios históricos, de sentimento de origem e trajetórias comuns e de valores partilhados, mantém-se enraizada nas concepções mentais dos atores, permitindo que as estratégias familiares postas em prática ganhem uma dimensão social mais alargada, que vão além das formas de organização da produção e do trabalho nas suas propriedades ao institucionalizarem-se na forma de dispositivos de ação coletiva. Neste sentido, a atividade leiteira, estratégia cada vez mais central para a reprodução das unidades produtivas, ganha uma expressão institucional através da organização do Sistema de Cooperativas de Leite da Agricultura Familiar - SISCLAF, um dispositivo coletivo de ação econômica. O “novo cooperativismo” emerge de um intenso processo de aprendizagem coletiva, como uma iniciativa inovadora e fundamental para a promoção de processos de desenvolvimento rural no território. Todavia, a segunda hipótese assevera que o SISCLAF e o cooperativismo da agricultura familiar enfrentam dificuldades em consolidar práticas, projetar iniciativas e empreender ações que conduzam a atividade leiteira para além de determinadas reações às contingências do ambiente e, assim, estabelecer uma estratégia coletivamente deliberada de desenvolvimento rural. A integração entre os ramos cooperativos e a articulação destes com os outros atores e instituições é deveras incerta no plano econômico e mais ainda no plano político, porque não há clareza sobre o lugar que cada organização ocupa na correlação de forças entre os grupos e classes sociais do território e na definição dos seus respectivos papéis na dinâmica do mesmo. As hipóteses foram confirmadas pelos resultados alcançados a partir da aplicação de um sofisticado aporte teórico-analítico e de uma série de procedimentos metodológicos, baseados tanto em técnicas de pesquisa quantitativa (lançando mão de diversas fontes de dados e métodos estatísticos) como qualitativa (entrevistas semiestruturadas, observação e participação em eventos). A principal conclusão do trabalho é a de que os processos de desenvolvimento rural têm na ação dos agricultores, como atores sociais ativos, um elemento causal fundamental, mas que só ganham efetividade através de projetos coletivos e deliberados, capazes de operar mudanças sociais, por meio de instituições.
Abstract The motivation for conducting this research came from the idea that rural development studies needs to develop clearer definitions regarding their scope, define a separate subject matter and not just put the issues from public policy and State action. So the issue of the interfaces between the role of social actors and the role of institutions in social change processes that focus on the dynamics of rural development is of great interest. The aim of this study was to assess the diversity of the family farming styles and the ways in which farmers were responding to the circumstances that arises from the process of increasing commoditization of agriculture and countryside, both in terms of technical and productive practices and in terms of organizational and institutional expressions. To this end we conducted a case study in the Southwest of Paraná, a territory where the historical importance of family farming category is widely recognized. The diversity of family farming and the countryside can be explained, on the one hand, by its increasing commoditization, due to the inclusion of farmers in the dynamics of the capitalist economy as commodity producers, workers and demanders of inputs and foreign technologies and, on the other hand, by the reproductive strategies that they have been established in response to this process or even to adapt to it. The first hypothesis asserts that, despite the effects and consequences of commoditization, the territorial identity of the family farming, constituted through on common historical episodes and feelings of origin, and shared values, remains embedded in the mental conceptions of the actors, allowing the family strategies put in place to gain a broader social dimension, beyond the ways of organizing production and labor in their farms to become institutionalized in the form of collective action devices. In this sense, the dairy production, a strategy increasingly central to the reproduction of rural households, earn an institutional expression through the organization of the Dairy Cooperatives System of Family Agriculture - SISCLAF, a collective device for economic action. The “new cooperativism” emerges from an intense process of collective learning, as an innovative and essential initiative for the promotion of rural development processes in the territory. However, the second hypothesis asserts that SISCLAF and the family agriculture cooperativism, have difficulties in consolidate practices, design initiatives and undertake actions that lead dairy farming beyond the reactions to certain environmental contingencies, and thus establish a collective deliberate strategy of rural development. The full integration between the cooperativist branches and their articulation with the other actors and institutions is quite uncertain in the economic plain and more in the political plain, because there is no clarity about the place that each organization plays in the balance of power between social groups and classes of the territory and in defining their respective roles in the dynamics of it. The hypotheses were confirmed by the results from the application of a sophisticated analytical approach and a series of methodological procedures, based on both quantitative (making use of various sources of data and statistical methods) and qualitative research techniques (semi-structured interviews, observation and participation in events). The main conclusion of the research is that the processes of rural development have on the action of farmers, as active social actors, a key causal element, but which only comes effective, through collective projects, capable of operating social change by means of institutions.
Tipo Dissertação
URI http://hdl.handle.net/10183/54519
Arquivos Descrição Formato
000856393.pdf (2.591Mb) Texto completo Adobe PDF Visualizar/abrir

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